Paciente de 6 anos é trazido à emergência pelos pais devido...

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Q4110910 Medicina

Paciente de 6 anos é trazido à emergência pelos pais devido a febre alta persistente e letargia progressiva nas últimas 12 horas. Os pais relatam que ele estava bem até a noite anterior, quando começou a apresentar febre de até 39,8 ºC e recusa alimentar. Hoje pela manhã, a criança não quis sair da cama e apresentou estado sonolento, mal interagindo com os pais. Ao chegar à emergência, o paciente foi deitado na maca, estava sonolento e difícil de acordar, respondendo minimamente aos estímulos verbais. Ao exame físico: FC = 162 bpm, PA = 72 x 31 (44) mmHg, tempo de enchimento capilar de 5 segundos, pulsos periféricos finos e extremidades frias, FR = 34 ipm, SatO2 = 91% em ar ambiente, petéquias e púrpuras espalhadas pelo corpo, sem sinais meníngeos.



Assinale a alternativa que contém o diagnóstico provável para esse paciente, tendo em vista as novas definições de sepse pediátrica (critérios de Phoenix).

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pelos critérios de Phoenix (International Consensus Criteria for Pediatric Sepsis and Septic Shock, JAMA 2024), sepse pediátrica exige infecção suspeita/confirmada com Phoenix Sepsis Score >=2, e choque séptico é sepse com pelo menos 1 ponto cardiovascular. Neste caso, a infecção suspeita é meningococcemia e há disfunção cardiovascular clínica evidente, sobretudo pela hipotensão importante para a idade com hipoperfusão periférica.

Tema central: Choque séptico pediátrico
Análise das alternativas
A
Errada
A etiologia provável está correta, mas a classificação está errada para o que a questão cobra. Pelos critérios de Phoenix, a categoria operacional relevante não é 'sepse grave', e sim sepse ou choque séptico. Como há hipotensão grave para a idade e sinais clínicos de hipoperfusão, o quadro já preenche choque séptico, não devendo ser rotulado como 'sepse grave'.
B
Errada
A alternativa subestima a gravidade classificatória do caso. Não se trata apenas de sepse, porque a presença de hipotensão, pulsos finos, extremidades frias e enchimento capilar prolongado demonstra disfunção cardiovascular manifesta. Pelos critérios de Phoenix, sepse associada a componente cardiovascular define choque séptico.
C
Errada
Está errada em dois pontos. Primeiro, a etiologia mais provável não é encefalite: o conjunto febre aguda + petéquias/púrpuras disseminadas + choque favorece meningococcemia, e o rebaixamento do sensório pode ser explicado por hipoperfusão/encefalopatia séptica. Segundo, 'sepse grave' não é a melhor classificação quando a questão explicitamente cobra Phoenix e o caso já mostra choque séptico.
D
Certa
A alternativa D é a correta porque o caso já ultrapassa a definição de sepse e entra em choque séptico. O enunciado mostra infecção provável por meningococcemia, sugerida por febre aguda com petéquias e púrpuras, e sinais de disfunção cardiovascular. Isso é o que muda a classificação pelo Phoenix: não é apenas sepse por infecção suspeita, mas sepse com componente cardiovascular.
Pegadinha da questão
A banca mistura a terminologia antiga ('sepse grave') com a definição nova de Phoenix e ainda coloca ausência de sinais meníngeos para tentar afastar meningococcemia; o ponto decisivo, porém, é febre com petéquias/púrpuras associada a hipotensão e hipoperfusão, o que configura choque séptico por meningococcemia provável.
Dica para questões semelhantes
  • Se a questão citar critérios de Phoenix, descarte a nomenclatura antiga 'sepse grave' como melhor enquadramento operacional.
  • Em criança febril com petéquias ou púrpuras, pense em doença meningocócica invasiva mesmo sem sinais meníngeos.
  • Hipotensão para a idade, enchimento capilar prolongado, extremidades frias e pulsos finos são sinais clínicos de disfunção cardiovascular e mudam a classificação para choque séptico.
  • Rebaixamento do sensório em contexto séptico não obriga diagnóstico de encefalite se houver explicação por hipoperfusão e encefalopatia séptica.

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