Fui demitido. Perdi o emprego em que estava
trabalhando há seis anos. Especialista numa área em
que poucos profissionais possuem conhecimento e
preparo para atuar, definitivamente não esperava que
isso viesse a acontecer. Nem meus colegas de trabalho
entenderam os motivos que levaram a instituição a
tomar essa providência.
Por incrível que pareça, fiquei menos abalado do que
todos os demais. Não que eu estivesse esperando, pois
já estávamos fazendo planos com o departamento em
que atuava para novas aulas e cursos no ano que iria
começar... Mas, como sabemos o quanto o mundo é
competitivo, e como a globalização tem redirecionado as
energias e exigido custos mínimos e máxima
produtividade, penso até que isso demorou a acontecer.
Já havia ocorrido idêntica situação com outros
profissionais de qualidade que, engajados em projetos
da instituição, da noite para o dia foram simplesmente
“desligados” de suas funções, demitidos
sumariamente...
Não que isso seja uma particularidade dessa instituição
onde estive trabalhando ao longo dos últimos anos.
Tampouco é possível encarar os acontecimentos como
derivados de alguma perseguição ou diferença pessoal.
Tudo ocorre da forma mais impessoal possível. A
despeito de todo o trabalho feito, do reconhecimento do
público-alvo, o que é avaliado não é sua capacidade
profissional, e sim o quanto você custa para a empresa. Num mercado altamente competitivo, no qual os custos
com publicidade são cada vez mais exorbitantes, em que
é necessário dispor de infraestrutura e recursos
materiais de ponta, a mão de obra qualificada e de alto
custo deixou de ser um diferencial no qual seja
prioritário investir.
O fim do emprego, como era concebido nos últimos 50
ou 60 anos, é uma realidade. Poucos serão os que
ficarão por mais de 5 ou 8 anos numa mesma empresa.
Carreiras duradouras, em que o sujeito trabalhava ao
longo de toda sua existência num mesmo emprego,
serão raríssimas. A rotatividade profissional do
trabalhador, até recentemente vista como um sinal de
imaturidade ou falta de seriedade, passou a ser
encarada como acúmulo de experiências e de
diversidade de habilidades e possibilidades funcionais.
De acordo com o consultor Ricardo Neves, em seu livro
O Novo Mundo Digital, adentramos um mundo em que o
emprego, aquele vínculo entre empresa e empregado,
que dá ao funcionário uma forte sensação de
estabilidade associada a fatores, como os benefícios
trabalhistas e, principalmente, o salário mensal, está
dando lugar ao conceito de trabalho. E o que seria então
trabalho? Seria, no caso, a vinculação a projetos e
planos, ações e realizações de prazo variável (curto,
médio ou longo), para os quais os profissionais seriam
contratados como “terceiros”, enquanto durassem essas
empreitadas. E as garantias trabalhistas? São
suprimidas, pois representam custos altos que as
empresas precisam cortar. E os salários? São
substituídos por honorários pagos aos profissionais que
atuam como empresas, ou seja, que são identificados
como pessoas jurídicas. O que se estabelece, a partir de
agora, passa a ser o vínculo profissional free-lance,
bastante conhecido dos profissionais que atuam na
imprensa.
Também é uma prerrogativa dos novos tempos que a
tecnologia esteja cada vez mais incorporada ao cotidiano
e que, em alguns casos, como já ocorreu em vários
segmentos profissionais, máquinas, como
computadores, robôs e sistemas sofisticados substituam
trabalhadores.
Outra situação bastante comum, em vigor nos Estados
Unidos e em outros países, é a transferência dos setores
de produção mais pesada para onde a mão de obra e os
custos governamentais sejam menores. Exemplos de
onde isso já está efetivado são a Índia e a China, que
absorveram grande parte dos investimentos deslocados
do primeiro mundo em busca de custos mais baixos.
É por isso que, mesmo tendo perdido o emprego, não
acreditei, em momento algum, que fosse vítima de
alguma perseguição da instituição. Entendi que os
custos que significava para a empresa eram um pouco
mais altos do que a média local e que, em virtude disso,
fui mais uma vítima da competição globalizada...
O que fazer? Se preparar para o futuro – que não será
tenebroso e sim diferente – estudando, se preparando,
buscando novos espaços, virando a página e dando a
volta por cima...
Os vocábulos “concebidos” (linha 35);
“sumariamente” (Linha 20) e “exorbitante” (linha
30) podem ser substituídos, sem prejuízo de
sentido e correção gramatical, por:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
Veja como esse erro impacta seu desempenho geral. Ver estatísticas