Paciente feminina, 37 anos, técnica de enfermagem, há 12
anos deu entrada em um centro de trauma, com apresentação
de múltiplas perfurações por arma branca em hemitóraх
direito e esquerdo, em face direita, membro superior direito e
membros inferiores; lesão em vulva; fratura de 5 dentes:
queimadura de primeiro e segundo graus em 20% da
superfície corporal. Após estabilização do quadro clínico,
passou por diversas cirurgias e permaneceu internada por 3
meses no hospital. Nos dois anos seguintes viveu em outro
estado da federação, com uma identidade alterada, no
Programa de Proteção à Vítimas e Testemunhas, até que seu
agressor e ex-marido, pai de uma de suas filhas, e ex-policial
fosse detido. Na ocasião, o agressor não havia suportado o
término da relação conjugal. Desde então, a paciente passou por diversos tratamentos psiquiátricos e psicológicos, com
melhora relativa de seu estado mental e persistência de
sintomas de: hipervigilância (medo, ansiedade, insônia);
evitação (da casa em que moravam e de quaisquer
relacionamentos amorosos); e revivência (lembranças
recorrentes involuntárias do trauma e pesadelos relacionados
ao evento traumático). Manteve-se em uso de venlafaxina
300 mg/dia e apresentou boa resposta terapêutica. Passados
10 anos, após cumprimento parcial da pena e bom
comportamento, seu agressor pleiteia judicialmente
progressão no regime. Desde então, paciente vem
apresentando piora progressiva dos sintomas.
Caso a paciente tenha manifestado resistência para uso de
uma medicação que tenha risco gerar síndrome de
descontinuação, qual seria a melhor escolha?