A locução verbal “foi feito”, presente no antepenúltimo pará...
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 08.
A armadilha da aceitação
Existe um lugar quentinho e cômodo chamado aceitação. Olhando de longe, parece agradável. Mais do que isso, é absolutamente tentador: os que ali repousam parecem confortáveis, acolhidos, até mesmo com um senso de poder, como se estivessem tirando um cochilo plácido debaixo das asas de um dragão.
“Elas estão por cima”, é o que se pensa de quem encontrou seu espacinho sob a aba da aceitação. Porém, é preciso batalhar para ter um espaço ali. Esse dragão não aceita qualquer um; e sua aceitação, como tudo nesta vida, tem um preço.
Para ser aceita, em primeiro lugar, você não pode querer destruir esse dragão. Óbvio. Você não pode atacá-lo, você não pode ridicularizá-lo, você não pode falar para outras pessoas o quanto seus dentes são perigosos, você não pode sequer fazer perguntas constrangedoras a ele.
Faça qualquer uma dessas coisas e você estará para sempre riscada da lista VIP da aceitação. Ou, talvez, se você se humilhar o suficiente, ele consiga se esquecer de tudo o que você fez e reconsidere o seu pedido por aceitação.
A melhor coisa que você pode fazer para conseguir aceitação é atacar as pessoas que querem destruir o generoso distribuidor deste privilégio. Uma boa forma de fazer isso é ridicularizando-as, e pode ser bem divertido fingir que esse dragão sequer existe, embora ele seja algo tão monstruosamente gigante que é quase como se sua existência estivesse sendo esfregada em nossas caras.
Reforçar o discurso desse dragão, ainda que você não saiba muito bem do que está falando, é o passo mais importante que você pode dar em direção à tão esperada aceitação.
Reproduzir esse discurso é bem simples: basta que a mensagem principal seja deixar tudo como está – e há várias formas de se dizer isso, das mais rudimentares e manjadas às mais elaboradas e inovadoras. Não dá pra reclamar de falta de opção.
Pode ter certeza que o dragão da aceitação dará cambalhotas de felicidade. Nada o agrada mais do que ver gente impedindo que as coisas mudem.
Uma vez aceita, você estará cercada de outras pessoas tão legais quanto você, todas acolhidas nesse lugar quentinho chamado aceitação. Ali, você irá acomodar a sua visão de mundo, como quem coloca óculos escuros para relaxar a vista, e irá assistir numa boa às pessoas se dando mal lá fora.
É claro que elas só estão se dando tão mal por causa do tal dragão; mas se você não pode derrotá-lo, una-se a ele, não é o que dizem?
O que ninguém diz quando você tenta a todo custo ser aceita é que nem isso torna você imune. Ser aceita não é garantia nenhuma de ser poupada.
Você pode tentar agradar ao dragão, você pode caprichar na reprodução e perpetuação do discurso que o mantém acocorado sobre este mundo, você pode até se estirar no chão para se fazer de tapete de boas-vindas, mas nada disso irá adiantar, especialmente porque esse discurso só foi feito para destruir você.
E aí é que a aceitação se revela como uma armadilha. Tudo o que você faz para ser aceita por aquilo que esmaga as outras sem dó só serve para deixar você mais perto da boca cheia de dentes que ainda vai te mastigar e te cuspir para fora. Pode demorar, mas vai. Porque só tem uma coisa que esse dragão realmente aceita: dominar e oprimir.
Então, se ele sorrir para você, não se engane: ele não está te aceitando. Está apenas mostrando os dentes que vai usar para fazer você em pedaços depois.
VALEK, Aline. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/a-armadilha-da-aceitacao-4820.html>. Acesso: 13 fev. 2015. (Adaptado).
A locução verbal “foi feito”, presente no antepenúltimo parágrafo, apresenta-se no singular, porque
Gabarito comentado
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Tema central: A questão cobra o conhecimento de concordância verbal, habilidade essencial para quem deseja um desempenho sólido em provas de Português — inclusive para cargos de Programador Visual, que exigem domínio da comunicação escrita e leitura criteriosa de textos.
Justificativa da alternativa correta (C):
A locução verbal “foi feito” está no singular porque concorda com o seu sujeito gramatical: “esse discurso”— termo anteriormente expresso e também no singular no contexto da frase:
“... esse discurso só foi feito para destruir você...”
Pela norma-padrão, como bem explicam Bechara e Cunha & Cintra, o verbo precisa concordar em número e pessoa com o núcleo do sujeito. Aqui, “esse discurso” é o sujeito e está no singular, exigindo o verbo também no singular.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta. “Nada disso” aparece no texto, mas em outra oração, sem relação sintática com o verbo “foi feito”. Não é o sujeito.
B) Incorreta. “Para destruir você” é uma expressão de finalidade (adjunto adverbial), não exerce nenhuma função de sujeito nem influencia a concordância verbal.
D) Incorreta. Embora “dragão” seja citado como personagem, não é o sujeito da oração. Logo, o singular do verbo não se deve à referência ao dragão.
Estratégia para provas:
Para identificar o sujeito corretamente:
- Procure o termo que pratica ou recebe o verbo (pergunte ao verbo “quem fez?” ou “o que foi feito?”).
- Ignore expressões entre vírgulas, adjuntos e orações subordinadas na análise da concordância.
Pegadinhas comuns aparecem em frases longas, tentando confundir o candidato sobre o real sujeito. O segredo está em focar no núcleo do sujeito, como recomendado nas gramáticas de referência e no Manual de Redação da Presidência da República.
Resumo: Sempre leia atentamente, localize o sujeito e aplique a concordância verbal de acordo com ele. Assim, você ganha segurança para acertar questões desse tipo!
Gabarito: C
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