As expressões "segundo livro" (primeiro e antepenúltimo pe...

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Q4440571 Português
    Lendo o bilhete em que se pedia um segundo livro, meu pai manifestou surpresa com espalhafato. Houve uma aragem de otimismo, chegaram-me retalhos de felicidade. No jantar deram-me toicinho. E exibiram-me a preciosidade que exteriorizava o meu progresso: volume feio, com um retrato barbudo e antipático. Ericei-me, pressenti que não sairia boa coisa dali. Realmente, encrenquei, para bem dizer caí num longo sono, de que a perseverança da mestra não me arrancou. Eu nunca revelara nenhum gênero de aptidão. Xingado, às vezes tolerado, em raros momentos elogiado sem motivo, propriamente estúpido não era; mas tornei-me estúpido, creio que me tornei quase idiota. Os sentidos embotaram-se, o espírito opaco tomou uma dureza de pedra. Completamente inerte. Depois, muito depois, avancei uns passos na sombra. Recuei, desnorteei-me. Andei sempre em ziguezagues. Certamente não foi o segundo livro a causa única do meu infortúnio. Houve outras, sem dúvida. Julgo, porém, que o maior culpado foi ele. 

Graciliano Ramos. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1981. 


Com base na leitura desse trecho das memórias de infância do escritor alagoano Graciliano Ramos, julgue o item subsequente.
As expressões "segundo livro" (primeiro e antepenúltimo períodos), "volume feio" (quarto período), assim como o termo "ele" (último período) referem-se ao mesmo objeto, que foi, simultaneamente, expressão do "progresso" e causa do "infortúnio" do narrador.
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