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Q4237962 Medicina
Mulher, 22 anos de idade, comparece ao pronto-socorro com queixas de dor torácica e odinofagia. Relata ter ingerido, propositalmente, soda cáustica há cerca de 3 horas. A endoscopia digestiva alta é um exame essencial nestes casos, pois permite identificar e avaliar a extensão e gravidade das lesões no esôfago e estômago auxiliando na identificação de pacientes com maior risco de desenvolver complicações, como estenoses. Entretanto, não é um exame isento de risco. Qual seria o melhor momento para solicitar a endoscopia digestiva alta nesta paciente?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Na ingestão cáustica sintomática com cerca de 3 horas de evolução, a endoscopia digestiva alta deve ser feita precocemente para estratificar a extensão e a gravidade da lesão, desde que não haja suspeita de perfuração; entre as alternativas, a janela de 12 a 14 horas é a que melhor corresponde a essa conduta.

Tema central: Janela da EDA
Análise das alternativas
A
Errada
O erro é afirmar que a EDA deve ser feita mesmo se houver suspeita de perfuração. Na lesão cáustica aguda, suspeita de perfuração é contraindicação prática importante ao exame, porque a manipulação endoscópica pode agravar a lesão e atrasar a abordagem adequada. Além disso, a base não sustenta que o exame prediga de forma obrigatória a profundidade total do dano transmural a ponto de justificar sua realização em qualquer cenário.
B
Errada
A justificativa terapêutica está errada em dois níveis: a endoscopia não tem finalidade de administrar neutralizadores, e a neutralização ácido-base após ingestão cáustica não é conduta recomendada, pois pode agravar a lesão. Portanto, a alternativa falha por mecanismo terapêutico incorreto e por atribuir à EDA uma função que ela não tem nesse contexto.
C
Errada
Postergar a EDA para o quinto dia contraria o critério temporal correto. Após alguns dias da ingestão, a parede do trato digestivo entra em fase de maior friabilidade por necrose/liquefação, o que aumenta o risco de perfuração iatrogênica durante a manipulação endoscópica. Por isso, o quinto dia não é período de menor risco; ao contrário, é uma janela inadequada para a avaliação inicial.
D
Certa
A alternativa D acerta o ponto central da conduta: após ingestão de soda cáustica, a EDA é um exame de estratificação da lesão e deve ser indicada em janela precoce. Esse uso inicial permite avaliar a extensão do dano e estimar risco de complicações, especialmente estenose. A base admite que o intervalo exato pode variar entre referências, mas a lógica correta é não atrasar desnecessariamente o exame em paciente sintomática e estável. Entre as alternativas apresentadas, D é a única compatível com essa precocidade.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre 'EDA deve ser precoce' e duas falsas conclusões: que ela pode ser feita mesmo com suspeita de perfuração e que adiar para o quinto dia seria mais seguro. O critério real é precoce, mas não em qualquer condição e não na fase tardia de maior fragilidade da parede.
Dica para questões semelhantes
  • Em ingestão cáustica, pense primeiro na função da EDA: estadiar a lesão e estimar risco de complicações, não tratar quimicamente o agente.
  • Se a alternativa trouxer suspeita de perfuração, isso pesa contra a realização da EDA no cenário agudo.
  • Janela correta é precoce; alternativas que empurram o exame para vários dias depois tendem a estar erradas pela maior friabilidade tecidual.
  • Quando houver divergência no número exato de horas, priorize a ideia central sustentada pela base: exame inicial precoce em paciente estável.

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