“[...] Ainda faltam horas para o destino, (1) e a mente e o ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3793987 Português
O que fazer em viagens longas?

    As redes sociais não entregam mais nada interessante, as paisagens ficaram ___________ e o sono não vem. Ainda faltam horas para o destino, e a mente e o corpo imploram por atividade, mas o que fazer nesse espaço apertado? Como lidar com os pensamentos que insistem em correr?

    Segundo a psicóloga e professora Júlia Murta, o desafio começa porque nos desacostumamos a lidar com o tempo livre. “A rotina atual exige produtividade constante. Quando o tempo se alonga, como em uma viagem, somos convidados a encarar um tipo de silêncio interno e externo que normalmente abafamos”, explica.

    Júlia destaca que a associação entre tédio e negatividade é fruto de um mal-estar contemporâneo: “O tédio pode ser um sintoma da dependência de produtividade para nos sentirmos válidos. Ele incomoda, mas também pode ser revelador”. 

    Para ela, o tédio não surge da falta de estímulos, mas do enfrentamento do vazio — e viajar também é autodescoberta. Encarar o tempo livre como autocuidado, porém, requer processo.

    “Leituras leves, anotações pessoais, escutar músicas ou podcasts com temas subjetivos podem ajudar a atravessar o tempo sem cair na aceleração compulsiva da mente. Não se trata de preencher, mas de sustentar a presença”.  

    Além do cuidado com a mente, o corpo também precisa de atenção: passar horas na mesma posição é prejudicial em qualquer lugar, especialmente em viagens, quando o espaço é limitado.

    A especialista também diferencia as dores comuns das que são um alerta — de acordo com ela, desconfortos no pescoço, na lombar e nas pernas são normais, afinal, a coluna é sobrecarregada ao se posicionar sentado.  

    No entanto, dores musculares e articulares, formigamentos e dormência são indícios de risco para o corpo. 

                                                                                                                                          Fonte: Revista Bom Voyage. Adaptado. 
  
    
“[...] Ainda faltam horas para o destino, (1) e a mente e o corpo imploram por atividade, (2) mas o que fazer nesse espaço apertado? [...]” (1º parágrafo).
Observe as vírgulas empregadas nas duas situações apontadas no segmento acima. Sobre o uso da pontuação, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: A regra de pontuação aplicada é a da vírgula obrigatória antes de oração coordenada sindética adversativa e a do isolamento de segmento intercalado. No período dado, a oração introduzida por “mas” é adversativa, o que torna obrigatória a vírgula em (2); além disso, a oração “e a mente e o corpo imploram por atividade” foi construída, no arranjo sintático acolhido pela banca, como segmento entre a oração inicial e a adversativa seguinte, razão pela qual a vírgula em (1) também se mantém obrigatória, conduzindo ao gabarito A.

Tema central: Vírgula em coordenação
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque as duas vírgulas se sustentam pela estrutura do período. A vírgula em (2) não é opcional: ela antecede a conjunção adversativa “mas”, cuja oração deve ser separada por vírgula na norma-padrão. Já a vírgula em (1), na leitura gramatical adotada pela banca, participa da delimitação da oração coordenada sindética aditiva “e a mente e o corpo imploram por atividade”, inserida entre a oração anterior e a adversativa subsequente. Assim, o período foi pontuado com isolamento do segmento interposto e com separação obrigatória da adversativa.
B
Errada
Está errada porque afirma ser desnecessária a vírgula em (2). Isso contraria a regra-padrão de pontuação: a conjunção “mas”, por introduzir oração coordenada sindética adversativa, exige vírgula.
C
Errada
Está errada porque trata a vírgula em (1) como facultativa. Segundo a leitura sintática acolhida pela banca, essa vírgula integra a delimitação do segmento coordenado “e a mente e o corpo imploram por atividade”, colocado entre a oração inicial e a adversativa; por isso, no período tal como redigido, ela foi considerada necessária.
D
Errada
Está errada porque diz que as duas vírgulas estão inadequadas. Isso é incompatível, ao menos, com a vírgula em (2), que é obrigatória antes de “mas”. Além disso, a própria estrutura sintática considerada pela banca legitima a vírgula em (1).
Pegadinha da questão
A banca explorou a tendência de aplicar mecanicamente a ideia de que não se usa vírgula antes de “e”, sem observar que, no período concreto, a oração iniciada por “e” foi tratada como segmento delimitado entre a oração inicial e a adversativa introduzida por “mas”.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de julgar a vírgula antes de “e”, examine a estrutura completa do período; coordenação simples e segmento intercalado não recebem o mesmo tratamento.
  • Se houver “mas” introduzindo oração adversativa, a vírgula anterior é obrigatória na norma-padrão.
  • Quando uma oração aparece entre outra oração e a adversativa seguinte, verifique se a pontuação está delimitando esse bloco interno.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Gabarito Equivocado, Pois a Vírgula antes de Conectivos aditivos É Facultativa!

A Saber:

Ele chegou, e ela saiu! (Facultativo)

obs.:Nas Conjunções Adversativas a Vírgula é OBRIGATÓRIA.

Ex.: Estudou Muito, MAS não passou! (OBRIGATÓRIO)

-- Gabarito letra (C) não !!!!

-- A virgula antes da letra E é falcultativa com 2 sujeitos, me corrigam se eu estiver errado

pela minha interpretação, a vírgula é obrigatória pois se trata de uma locução adverbial deslocada, é por ser mais de 3 palavras a vírgula se torna obrigatória.

Esta é uma situação muito comum em concursos públicos e toca em um dos pontos mais polêmicos da gramática: a vírgula antes da conjunção "e".

Se o gabarito oficial indicou a letra A, a banca examinadora está seguindo uma linha tradicional e rigorosa. Vamos analisar por que eles consideram ambas obrigatórias e se cabe recurso para anulação.

A regra geral diz que não se usa vírgula antes do "e" quando ele liga termos de mesma função ou orações com o mesmo sujeito. Porém, quando os sujeitos são diferentes, muitos gramáticos tradicionais (como Evanildo Bechara) defendem que a vírgula deve ser usada para evitar ambiguidade e marcar a alternância de agentes.

  • Oração 1: "Ainda faltam horas para o destino" (Sujeito: horas).
  • Oração 2: "a mente e o corpo imploram por atividade" (Sujeito: a mente e o corpo).

Para bancas examinadoras mais rígidas, essa mudança de sujeito torna a vírgula obrigatória para clareza textual.

Muitos outros gramáticos (como Domingos Paschoal Cegalla) tratam essa mesma regra como facultativa. Cegalla afirma explicitamente: "Pode-se usar a vírgula antes da conjunção e quando as orações coordenadas têm sujeitos diferentes". O termo "pode-se" indica faculdade, não obrigação.

Além disso, em orações curtas e claras, a tendência moderna da linguística é considerar essa vírgula apenas como um recurso enfático ou estilístico.

Questão passível de recurso e possível anulação, mas com ressalvas.

Argumentos para o recurso:

  1. Divergência Doutrinária: Você pode citar que não há consenso absoluto entre os gramáticos. Enquanto uns (como Bechara) sugerem a obrigatoriedade para clareza, outros (como Cegalla e Rocha Lima) classificam como facultativa ou recomendável.
  2. Clareza do Texto: Pode-se argumentar que a ausência da vírgula em (1) não causaria prejuízo à compreensão do texto, o que reforçaria o caráter facultativo.

O problema na prática:

As bancas de concurso (como FGV, FCC, Cebraspe ou bancas menores de prefeituras) costumam adotar uma "bibliografia de estimação". Se a banca segue cegamente a gramática de Bechara, ela manterá o gabarito na letra A, pois ele é a maior autoridade viva da língua e tende a ser prescritivo nesse ponto.

  • Na teoria gramatical acadêmica: A alternativa C é a mais aceita hoje (facultativa com sujeitos diferentes).
  • Na visão de "prova de concurso": Muitas bancas ainda consideram a letra A como correta, tratando a mudança de sujeito como um gatilho de obrigatoriedade para que o candidato demonstre conhecimento dessa regra específica.

Conclusão: Se você estiver fazendo um recurso, use a citação de Cegalla (Novíssima Gramática da Língua Portuguesa) para provar que a vírgula antes do "e" com sujeitos diferentes é facultativa. Isso gera a "duplicidade de interpretação", que é o principal motivo para anular questões de múltipla escolha.

Sujeitos diferentes entre o ''e'' a vírgula é obrigatória. Antes da conjunção MAS sempre vai vírgula. Gabarito letra A.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo