Os tumores de cabeça e pescoço constituem um grupo heterogê...

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Q3909059 Medicina
Os tumores de cabeça e pescoço constituem um grupo heterogêneo de neoplasias com padrões distintos de carcinogênese (tabaco/álcool, carcinogênese virótica — HPV, EBV — e carcinogênese ocupacional/ambiental), implicando diferenças robustas de prognóstico, resposta terapêutica, seleção de técnica cirúrgica, indicação de tratamento adjuvante e papel da preservação funcional. Além disso, o conceito de "estratificação por sítio e por biologia" tem reorientado a prática de cirurgia oncológica de cabeça e pescoço. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que resolve a questão é a estratificação por biologia tumoral em cabeça e pescoço: no carcinoma de orofaringe HPV-positivo, a presença de adenopatia cervical volumosa ou exuberante ao diagnóstico é compatível com esse subtipo e não implica o mesmo mau prognóstico observado nos tumores HPV-negativos; ao contrário, esse grupo tem melhor resposta terapêutica e melhor prognóstico em estádios comparáveis, o que torna a alternativa C correta.

Tema central: HPV na orofaringe
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao afirmar uma inferioridade universal da radioterapia no carcinoma glótico T2. Pela base, em glote T2 selecionado, tanto radioterapia definitiva quanto cirurgia conservadora transoral/endoscópica podem ter intenção curativa. Portanto, não se sustenta dizer que a radioterapia isolada não deva ser considerada opção curativa equivalente por suposto controle local inferior mesmo em tumores de baixo volume. O erro médico é transformar uma decisão de seleção de casos em contraindicação geral de uma modalidade válida.
B
Errada
A alternativa está errada porque inverte o tratamento padrão do carcinoma de nasofaringe. Pela base, NPC é classicamente tratado com radioterapia, geralmente associada à quimioterapia conforme o estádio, devido ao padrão biológico e ao sítio anatômico. Cirurgia primária não é a abordagem preferencial rotineira; quando usada, fica reservada a situações selecionadas, tipicamente de resgate. O erro médico é tomar a possibilidade técnica de acesso cirúrgico e convertê-la indevidamente em padrão terapêutico primário.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve o padrão biológico consolidado dos tumores de orofaringe relacionados ao HPV: eles frequentemente chegam ao diagnóstico com doença linfonodal cervical proeminente, muitas vezes desproporcional ao tamanho do tumor primário, e ainda assim apresentam prognóstico significativamente melhor que os carcinomas HPV-negativos em estádios comparáveis. O ponto decisivo é que, nesse sítio, a biologia HPV-relacionada pesa mais do que a impressão de gravidade gerada pelo volume nodal isolado.
D
Errada
A alternativa está errada porque atribui ao carcinoma anaplásico de tireoide avançado um paradigma cirúrgico que não corresponde ao seu comportamento. Pela base, ATC avançado é extremamente agressivo, frequentemente irressecável, e o manejo depende de ressecabilidade, extensão local, via aérea, perfil molecular e estratégia multimodal. Tireoidectomia total com esvaziamento cervical profilático não é conduta clássica para estágio avançado. O erro médico é aplicar a lógica cirúrgica dos carcinomas diferenciados da tireoide a uma doença em que cirurgia agressiva profilática de rotina não é padrão e pode gerar morbidade sem benefício comprovado no cenário descrito.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa associação automática entre adenopatia cervical volumosa e pior prognóstico. Em orofaringe HPV-positiva, volume nodal exuberante pode estar presente no diagnóstico e, mesmo assim, o comportamento prognóstico ser melhor do que no subtipo HPV-negativo.
Dica para questões semelhantes
  • Em cabeça e pescoço, não decida apenas pelo volume da doença: primeiro identifique o sítio e a biologia tumoral.
  • Orofaringe HPV-positiva costuma combinar apresentação nodal cervical marcante com melhor prognóstico relativo.
  • Nasofaringe é, em regra, doença de tratamento primário não cirúrgico; cirurgia costuma entrar como exceção ou resgate.
  • Quando uma alternativa afirma inferioridade absoluta de uma modalidade curativa em glote T2, desconfie: a seleção terapêutica costuma admitir mais de uma opção válida.

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