Um paciente de 60 anos de idade, tabagista ativo, cerca de 4...
Um paciente de 60 anos de idade, tabagista ativo, cerca de 40 anos-maço, realiza tomografia computadorizada de tórax (TCT) para rastreamento de câncer de pulmão. O paciente é assintomático, tem histórico de cardiopatia isquêmica e é portador de angina estável, porém com estenose importante de tronco de coronária esquerda. Um episódio de infarto agudo do miocárdio prévio ocorreu há um ano, e ele é usuário de AAS e clopidogrel. Desconhece outras doenças. O paciente apresenta uma TCT com evidência de nódulo de 1,2 cm em topografia de lobo pulmonar superior direito, com linfonodos em cadeia paratraqueal direita e subcarinal de 1,2 cm e 1,5 cm, respectivamente. A ressonância magnética de crânio é normal. A tomografia computadorizada de abdome também. A espirometria evidencia um volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) > 1,7 L e capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO) > 70%. Foi proposta a mediastinoscopia cervical para estadiamento invasivo do mediastino.
Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
Caso a mediastinoscopia cervical seja negativa, esse
paciente deve ser submetido à segmentectomia regrada,
pois a função pulmonar não permite lobectomia.
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Vamos analisar a questão apresentada, que aborda um caso clínico complexo, envolvendo uma decisão cirúrgica em um paciente com nódulo pulmonar. O tema central é o manejo cirúrgico de nódulos pulmonares em pacientes com função pulmonar comprometida e co-morbidades cardíacas.
De acordo com o enunciado, o paciente é um tabagista de longa data com um nódulo pulmonar e linfadenopatia mediastinal, além de apresentar boa função pulmonar relativa, conforme indicado pelo VEF1 > 1,7 L e DLCO > 70%. A proposta inicial de mediastinoscopia cervical para estadiamento do mediastino é adequada, já que é um procedimento padrão para avaliar o envolvimento linfonodal no câncer de pulmão.
Agora, a questão afirma que, caso a mediastinoscopia seja negativa, o paciente deve ser submetido à segmentectomia em vez de lobectomia devido à função pulmonar. Vamos analisar essa afirmação:
1. Mediastinoscopia negativa: Significa que não há evidência de metástase nos linfonodos avaliados, o que pode indicar um tumor em estágio localizado.
2. Função pulmonar: O VEF1 > 1,7 L e DLCO > 70% indicam que o paciente ainda possui uma boa função pulmonar, adequada para lobectomia, especialmente considerando que a lobectomia é o tratamento padrão para o câncer de pulmão não pequeno em estágio inicial.
3. Protocolo de tratamento: Segundo diretrizes, como as do American College of Chest Physicians e do National Comprehensive Cancer Network (NCCN), a lobectomia é preferível sempre que a função pulmonar permita, por proporcionar maior chance de cura em comparação com a segmentectomia.
Portanto, a alternativa está errada (gabarito: E) porque a função pulmonar do paciente, conforme avaliado, não contraindica uma lobectomia. A segmentectomia é geralmente reservada para pacientes com função pulmonar mais comprometida, onde a lobectomia seria inviável.
Em resumo, é crucial avaliar a função pulmonar adequadamente e seguir protocolos de tratamento baseados em evidências para decidir o manejo cirúrgico mais apropriado. Esta questão destaca a importância de se manter atualizado com diretrizes e protocolos de tratamento.
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