Um paciente de 60 anos de idade, tabagista ativo, cerca de 4...
Um paciente de 60 anos de idade, tabagista ativo, cerca de 40 anos-maço, realiza tomografia computadorizada de tórax (TCT) para rastreamento de câncer de pulmão. O paciente é assintomático, tem histórico de cardiopatia isquêmica e é portador de angina estável, porém com estenose importante de tronco de coronária esquerda. Um episódio de infarto agudo do miocárdio prévio ocorreu há um ano, e ele é usuário de AAS e clopidogrel. Desconhece outras doenças. O paciente apresenta uma TCT com evidência de nódulo de 1,2 cm em topografia de lobo pulmonar superior direito, com linfonodos em cadeia paratraqueal direita e subcarinal de 1,2 cm e 1,5 cm, respectivamente. A ressonância magnética de crânio é normal. A tomografia computadorizada de abdome também. A espirometria evidencia um volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) > 1,7 L e capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO) > 70%. Foi proposta a mediastinoscopia cervical para estadiamento invasivo do mediastino.
Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
AAS e clopidogrel devem ser suspensos 15 dias antes
do procedimento cirúrgico proposto.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (errado)
Tema central: O foco da questão é o manejo perioperatório de antiplaquetários (AAS e clopidogrel) em pacientes com doença arterial coronariana significativa submetidos a procedimento cirúrgico Torácico (mediastinoscopia).
Justificativa para a alternativa correta (“Errado”):
Segundo as principais diretrizes cardiológicas (incluindo a Diretriz Brasileira de Doença Coronariana Crônica 2025 e recomendações internacionais), pacientes com história de eventos isquêmicos (como infarto prévio e estenose importante de tronco de coronária esquerda) mantêm alto risco de complicações trombóticas no perioperatório. Nesses casos, a suspensão do AAS pode ser extremamente perigosa, aumentando o risco de infarto do miocárdio e morte súbita.
O manejo recomendado é:
- AAS: Manter durante o perioperatório (exceto cirurgias com risco elevado de sangramento catastrófico, o que não é o caso da mediastinoscopia).
- Clopidogrel: Indicado suspender 5 dias antes da cirurgia, devido ao maior risco de sangramento – e não 15 dias.
Trecho literal (Diretriz – Secad/Artmed, 2020): “Nos pacientes em uso para prevenção secundária de eventos cardiovasculares, as diretrizes recomendam a manutenção do AAS durante o perioperatório, exceto em cirurgias com risco elevado de sangramento catastrófico.”
Por que a alternativa está errada?
- Não se deve suspender ambos os antiagregantes por 15 dias, pois isso expõe o paciente a risco isquêmico grave.
- O tempo correto para suspensão do clopidogrel geralmente é 5 dias. O AAS deve ser mantido, salvo cirurgias com alto risco de sangramento.
Pegadinha da questão: Geralmente provas cobram a conduta de suspensão pensando apenas no risco de sangramento. Aqui, é fundamental perceber que o risco cardiovascular “pesa mais”, e as exceções à suspensão de AAS são claras nas diretrizes.
Resumo crítico das alternativas:
- Certo: Incorreto, pois a conduta padrão NÃO é suspender ambos os antiplaquetários concomitantemente, sobretudo por tempo prolongado em paciente de alto risco.
- Errado: Correto, o enunciado está incorreto ao propor suspensão total de AAS e clopidogrel por 15 dias.
Mensagem final: Em casos de doença coronariana estável com alto risco isquêmico, priorize a manutenção do AAS, suspenda clopidogrel 5 dias antes, e avalie individualmente!
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