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Q3293906 Medicina
O transplante renal envolve seleção e complicações específicas. Marque a atitude coerente sobre as fases de seleção do doador e do receptor.
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Tema central: seleção do doador e do receptor no transplante renal para reduzir rejeição e complicações. Isso exige compatibilidade imunológica e avaliação clínica rigorosa.

Estratégia de prova: procure termos-chave como compatibilidade ABO, tipagem HLA, crossmatch e avaliação clínica. Desconfie de alternativas que “dispensam testes” ou “apostam apenas na imunossupressão”.

Alternativa correta (B) – Por quê? A condução adequada inclui:
- Compatibilidade ABO (idealmente compatível ou permissiva).
- Tipagem HLA (A, B, DR) e estimativa do cPRA (sensibilização do receptor).
- Crossmatch T e B por citotoxicidade e/ou citometria de fluxo (deve ser negativo).
- Avaliação clínica do receptor: comorbidades (cardiovasculares, infecções como HBV/HCV/HIV, CMV), risco cirúrgico, aderência e imunizações.
- Avaliação do doador (vivo ou falecido): função renal, sorologias, anatomia vascular/urinária (ex.: angioTC), risco tumoral/infeccioso.

Esses passos reduzem rejeição hiperaguda e aguda, perda precoce do enxerto e eventos infecciosos. Diretrizes: KDIGO Kidney Transplant Candidate Guideline (2020), UpToDate, Harrison’s, ABTO e protocolos do Ministério da Saúde/SNT sustentam essa abordagem.

Por que as demais estão incorretas?

A – “Excluir testes de compatibilidade”: conceitualmente errado. Sem ABO, HLA e crossmatch, o risco de rejeição hiperaguda por anticorpos anti-HLA/ABO é altíssimo, levando a trombose do enxerto e falha imediata. Diretrizes exigem esses testes pré-transplante.

C – “Transplantar imediato, dispensando compatibilidade, confiando na imunossupressão”: a imunossupressão não previne rejeição hiperaguda com crossmatch positivo ou incompatibilidade ABO significativa. Protocolos de dessensibilização (imunoglobulina, rituximabe, troca plasmática) existem, mas requerem planejamento e indicação precisa, jamais “dispensa de testes”.

D – “Somente doadores vivos aparentados; não existe doador falecido no SUS”: falso. O Brasil tem um dos maiores programas públicos com doadores falecidos pelo SUS, coordenado pelo SNT. Doadores vivos podem ser aparentados ou não aparentados (com avaliação ética/ legal), e há doação pareada em centros selecionados.

Pegadinhas: “dispensar compatibilidade” e “não existe doador falecido no sistema público” são afirmações claramente incompatíveis com as diretrizes nacionais e internacionais.

Resumo para memorizar: ABO + HLA + crossmatch negativo + avaliação clínica completa de doador/receptor = menor rejeição e melhores desfechos.

Referências essenciais: KDIGO 2020; UpToDate (Evaluation of the kidney transplant candidate; Pretransplant immunologic assessment); ABTO – Manual de Transplantes; Ministério da Saúde/SNT; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: B

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