Na década de 1950, a perca-do-Nilo foi introduzida no Lago ...

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Q3909606 Biologia

Na década de 1950, a perca-do-Nilo foi introduzida no Lago Vitória com a intenção de ampliar a oferta de alimento e gerar receita com a pesca. Contudo, a introdução ignorou princípios ecológicos básicos e resultou na destruição da pesca tradicional. Antes disso, o lago sustentava uma grande diversidade de peixes locais, especialmente ciclídeos, que ocupavam níveis mais baixos da cadeia alimentar.


A perca-do-Nilo, predador de grande porte e espécie exótica, passou a consumir intensamente os ciclídeos, que não possuíam defesas comportamentais contra esse tipo de predação. Como a transferência de energia na cadeia alimentar é ineficiente, a população do predador não se manteve de forma sustentável, levando à redução tanto das presas quanto da própria perca.


Além das perdas na biodiversidade e na pesca nativa, a introdução da perca provocou alterações no ecossistema terrestre, pois sua carne oleosa passou a ser conservada por defumação, intensificando o desmatamento no entorno do lago. Assim, a introdução da espécie exótica agravou problemas já existentes, associados à pressão humana e ao uso de técnicas de pesca não tradicionais.



Fonte: Ricklefs, R.E. A Economia da Natureza. Quinta edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2003.



Com base no texto apresentado e considerando que a pesca nativa do Lago Vitória já se encontrava próxima da sobreexploração, em decorrência do crescimento da população humana local e do uso de tecnologias de pesca não tradicionais, assinale a alternativa que indica uma solução mais apropriada para o enfrentamento desse problema, à luz dos princípios ecológicos e da sustentabilidade. 

Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O texto mostra que a introdução da perca-do-Nilo, espécie exótica predadora, agravou o desequilíbrio ecológico e ocorreu em um contexto já marcado por sobreexploração da pesca nativa. Assim, a alternativa correta precisava reduzir a pressão sobre os ciclídeos e evitar nova intervenção com predadores exóticos, o que aponta para a letra C.

Tema central: manejo pesqueiro sustentável
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe aumentar a eficiência da exploração justamente em um contexto em que o enunciado informa sobreexploração e desequilíbrio ecológico. Maximizar a extração da perca-do-Nilo não enfrenta a causa ecológica do problema nem reduz a pressão sobre o sistema.
B
Errada
Está errada porque repete o erro central do caso: responder a um impacto causado por espécie exótica com nova manipulação trófica por introdução de predadores. Segundo a base, isso não é solução sustentável e tende a agravar a artificialização do equilíbrio ecológico.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque segue o princípio ecológico e de sustentabilidade indicado pelo texto: evitar repetir a causa do problema, que foi a introdução de um predador exótico altamente eficiente, e enfrentar a sobreexploração já existente. O manejo sustentável dos ciclídeos é compatível com a conservação da biodiversidade, enquanto o desenvolvimento de fontes alternativas de alimentação reduz a pressão humana sobre o lago. É a única opção que combina proteção das espécies nativas com redução estrutural da pressão sobre o sistema.
D
Errada
Está errada porque contraria diretamente o texto-base. O enunciado já afirma que a introdução da perca-do-Nilo não se manteve de forma sustentável e levou à redução das presas e do próprio predador, o que invalida a ideia de garantia de alimento em longo prazo.
Pegadinha da questão
A confusão explorada é tratar aumento imediato de produção ou presença de predador de topo como sinônimo de sustentabilidade, ignorando que o texto já demonstra o fracasso ecológico dessa estratégia e a sobreexploração humana prévia.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado mostra que uma espécie exótica causou desequilíbrio, descarte alternativas que proponham manter ou repetir esse tipo de intervenção como solução principal.
  • Em problemas de sobreexploração, a resposta sustentável deve reduzir pressão sobre o recurso, não apenas trocar a espécie explorada ou aumentar a eficiência da captura.
  • Quando o texto menciona causas ecológicas e antrópicas ao mesmo tempo, a alternativa correta tende a enfrentar as duas dimensões, não só a cadeia alimentar.

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