Os níveis de hemoglobina glicosilada indicam que o paciente ...

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Q3576438 Medicina
    Um homem de 48 anos de idade foi atendido no ambulatório relatando que há cerca de 10 meses vem apresentando dor retroesternal, em aperto, de forte intensidade, desencadeada sempre pelo mesmo esforço físico — subir dez degraus de escada —, que desaparece cerca de 5 minutos após cessada a atividade física. No momento da consulta nega quaisquer sintomas, e informou ter pai que tinha problema de angina. Tem diagnóstico de hipertensão arterial há 5 anos, em uso irregular de hidroclorotiazida 25 mg ao dia, e de diabetes melito há 7 anos, controlado com dieta. É tabagista, fuma 15 cigarros por dia, há 30 anos. Não realiza atividades físicas regulares. No exame clínico, destacam-se: paciente consciente e orientado, sem sinais neurológicos de localização, mediolíneo, pressão arterial de 190 mmHg × 110 mmHg (medidas com paciente sentado e com manguito adequado para o tamanho da circunferência do braço), freqüência cardíaca de 85 bpm, índice de massa corporal (IMC) igual 34 kg/m . Pulmões com redução 2 global do murmúrio vesicular, sem ruídos adventícios. Ictus cordis do tipo cupuliforme, visível e palpável, no 5.º espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular esquerda, com 2 centímetros de extensão e impulsividade aumentada, ritmo cardíaco regular em 3 tempos, com quarta bulha cardíaca, sem sopros, pulsos arteriais palpáveis e simétricos. Abdome e extremidades sem anormalidades. O eletrocardiograma convencional de repouso mostrou: ritmo sinusal, freqüência ventricular média de 80 bpm, eixo elétrico médio do QRS a 25º graus negativos, sinais de sobrecarga atrial e ventricular esquerdas leves, alterações difusas e inespecíficas da repolarização ventricular. Os exames laboratoriais evidenciaram: glicemia de jejum = 150 mg/dL (valores de referência de 60 a 110 mg / dL); h emog l obi n a g li c o sil a d a = 10% (valores de referência de 3,9% a 6,9%); colesterol total = 300 mg/dL (valores de referência recomendado < 200 mg/dL), com aumento da fração LDL e redução da fração HDL do colesterol; sódio plasmático = 138 mEq/L (valores de referência de 136 a 146 mEq/L); potássio plasmático = 3,8 mEq/L (valores de referência de 3,5 a 5,0 mEq/L); uréia sérica = 40 mg/dL (valores de referência de 6 a 20 mg/dL); creatinina sérica = 1,8 mg/dL (valores de referência de 0,6 a 1,2 mg/dL); dosagem de proteínas na urina de 24 horas = 350 mg / 24 h (valores de referência de 50 a 80 mg/24 h). Exame de urina (EAS): proteínas (++), glicose (++), sedimento sem anormalidades.

Com referência a essa situação clínica hipotética, julgue os itens que se seguem. 
Os níveis de hemoglobina glicosilada indicam que o paciente apresenta hiperglicemia crônica.
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Comentário do gabarito – Médico Cirurgião Geral | Endocrinologia | Hemoglobina Glicada

Tema central: O foco da questão é a interpretação da hemoglobina glicada (HbA1c) como marcador de controle glicêmico e diagnóstico da hiperglicemia crônica em pacientes diabéticos.

Justificativa da alternativa correta ("Certo"):

A hemoglobina glicada (HbA1c) reflete a média da glicemia nos últimos 2-3 meses. Valores acima de 6,5% confirmam diagnóstico de diabetes mellitus e indicam descontrole do quadro. Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2024 (Classificação, diagnóstico e metas de tratamento): “O diagnóstico de diabetes mellitus (DM) deve ser estabelecido pela identificação de hiperglicemia (...), incluindo hemoglobina glicada (HbA1c).”

No caso descrito, a HbA1c de 10% é marcadamente superior ao limite para diagnóstico e controle. Isso significa que o paciente está em hiperglicemia crônica, provavelmente há meses, elevando substancialmente o risco de complicações (nefropatia, retinopatia, doença cardiovascular).

Análise da alternativa incorreta ("Errado"):

Assinalar “Errado” seria incorreto, pois sugere que a HbA1c elevada não reflete hiperglicemia. De acordo com protocolos nacionais e internacionais (ADA, SBD, UpToDate), a HbA1c é o marcador padrão para controle glicêmico a longo prazo. Assim, 10% comprova descontrole e hiperglicemia persistente.

Pontos-chave para provas:

  • Valores de referência: Normal <5,7%; pré-diabetes 5,7-6,4%; diabetes ≥6,5%.
  • Cuidado com pegadinhas: Confirma-se hiperglicemia crônica por HbA1c elevada, mesmo que a glicemia de jejum isolada oscile.
  • Nunca baseie o diagnóstico apenas em sintomas atuais – utilize SEMPRE exames laboratoriais.

Protocolos oficiais:
Segundo o PCDT do Ministério da Saúde e as Diretrizes SBD (2024), metas para pacientes em tratamento geralmente indicam manter HbA1c <7%. Valores acima (>8%) sugerem descontrole importante, devendo-se reforçar intervenções clínicas.

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