O diagnóstico de crise hipertensiva, do tipo emergência hip...
Com referência a essa situação clínica hipotética, julgue os itens que se seguem.
Gabarito comentado
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Gabarito: E – errado.
Tema central: diferenciar emergência hipertensiva de elevação grave de PA sem dano agudo (às vezes chamada urgência) e evitar o erro de “diagnosticar emergência apenas pelo número da pressão”.
Por que é errado afirmar emergência hipertensiva aqui? Apesar da PA de 190/110 mmHg, o paciente não apresenta sinais de dano agudo a órgão-alvo no momento da consulta. A dor torácica descrita é angina estável (desencadeada por esforço, alivia em ~5 min, ausente no consultório), o exame neurológico é normal, não há dispneia/edema agudo de pulmão, nem evidências de dissecção aórtica ou isquemia miocárdica aguda no ECG. A creatinina elevada e a proteinúria são crônicas, sem indício de piora aguda. Logo, não há critério para emergência.
Critérios de emergência hipertensiva (SBC/2020; ACC/AHA 2017; UpToDate):
- PA muito elevada + dano agudo a órgão-alvo: encefalopatia hipertensiva, AVC/hemorragia, SCA (angina instável/IM), edema agudo de pulmão/IC aguda, dissecção de aorta, eclâmpsia, AKI com queda rápida da função, microangiopatia/hemólise.
- Requer redução imediata da PA com fármacos IV em ambiente monitorado.
O que este caso representa? PA muito elevada em paciente de alto risco, sem dano agudo documentado no momento. Conduta inicial: repetir a medida após 5–10 min de repouso, avaliar cuidadosamente sinais/sintomas de órgão-alvo e ajustar tratamento ambulatorial (não redução abrupta). Diretrizes brasileiras de HA (SBC/SBH/SBN 2020) reforçam que o número isolado da PA não define emergência.
Analisando a alternativa “C – certo” (incorreta): Pressupõe que a magnitude da PA basta para o diagnóstico. Conceito equivocado. Sem evidência de dano agudo, não se trata de emergência. A angina aqui é crônica estável; emergência exigiria dor em repouso/prolongada, alterações isquêmicas agudas no ECG e/ou troponina elevada.
Dicas de prova (pegadinhas):
- Procure “sinais vermelhos”: déficit focal, confusão, dispneia/crepitações, dor torácica persistente/instável, dor súbita transfixante, oligúria/creatinina em ascensão.
- Repetir a PA após repouso e verificar técnica/manguito adequado.
- Crônico ≠ emergência: S4, sobrecarga de VE e proteinúria sugerem lesão crônica, não aguda.
Conduta global sugerida (fora do escopo da pergunta, mas útil): intensificar anti-hipertensivos combinados (ex.: IECA/BRAs + bloqueador de canais de cálcio + diurético tiazídico), controlar DM e dislipidemia (estatina alta intensidade), cessar tabagismo e investigar doença coronária estável. Evitar queda rápida da PA em ambulatório.
Referências: Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial SBC/SBH/SBN (2020); ACC/AHA Guideline for High Blood Pressure (2017/2022 updates); UpToDate – Hypertensive emergencies; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
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