Paulo Leminski estava certo quando disse que escrever
poesia aos 17 anos é fácil, e o difícil é continuar acreditando na poesia com o passar dos anos, com a idade, com os
deveres, as contas, os desejos de consumo.
Deve haver um pedacinho do cérebro em que a criança e a jovem que fomos estão intactas, com nossos sonhos,
certezas e poesias escritas em cadernos. No meu caso, a
palavra tem um poder inestimável, e as páginas do conto
A moça tecelã, de Marina Colasanti, me lembram nitidamente
de quando as li.
Arrependo-me um tanto de não ter escrito este texto
antes, quando Marina Colasanti ainda estava viva. Eu queria
contar que conheci uma história sua aos 14 anos no meu
livro da 8ª série e, naquela época, os livros didáticos eram
também os meus livros literários. Juro que guardei este livro
por muitos anos e acho que só me desfiz dele quando mudei
para Luanda. Era uma relíquia para mim, assim como quase
tudo que li naquela época.
Eu me lembro da emoção da sala de aula e depois das
releituras em casa, e depois de contar o próprio conto como
contadora de história. Eu era uma menina que sabia tão pouco e aquela história me deu pistas importantes sobre o que
esperar da vida de uma mulher.
A moça tinha o superpoder de criar a própria vida e
influenciar o mundo ao redor com o trabalho dela e, mais
importante, “nada lhe faltava”. Segundo Marina, era possível
ser mulher e nada lhe faltar, e ela escrevia isso para jovens
como eu. “Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo
em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como
seria bom ter um marido ao lado.”
Foi com Marina e a moça, aos 14 anos, no livro didático
da escola, que aprendi que eu poderia tecer a vida que quisesse e que poderia inclusive desistir dessa vida inventada,
se ela deixasse de me agradar.
Um dos textos sobre a morte da escritora a chamava de
autora de livros infantojuvenis e, apesar de eu ter conhecido seus contos quando era adolescente, sempre achei que
aquilo não era para a minha idade. Eu me sentia uma mulher
adulta lendo e contando os contos de Marina Colasanti.
(Ana Paula Lisboa. A moça tecelã.
https://oglobo.globo.com, 05.02.2025. Adaptado)
Com base nas informações apresentadas no 1o
e
2o
parágrafos, é correto afirmar que
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
Errou um tema comum da banca? Veja o que mais costuma cair no Raio-X. Ver raio-X
teste
Parabéns! Você acertou!
Essa questão segue o padrão da banca! Veja o que mais costuma cair. Ver raio-X