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Leia o texto.
Chama o “Aurélio”
Certos casos da política, de tão inacreditáveis, acabam virando parte do anedotário. Ou vice-versa: algumas vezes algumas piadas trazem tão bem determinadas características da cultura política que assumem ares de verdade.
Em uma das hipóteses se encaixa a correspondência trocada, cerca de 20 anos atrás, entre um prefeito de uma cidade e o então secretário estadual do interior.
Conta certo deputado que o secretário sempre gostou de falar difícil. Numa certa ocasião, o secretário recebeu a informação de que a cidade sofreria um tremor de terra capaz de quebrar copos e trincar pratos. Preocupado, expediu logo um telegrama ao prefeito: “Movimento sísmico previsto para essa região. Provável epicentro movimento telúrico sua cidade. Obséquio tomar as providências logísticas cabíveis”.
O secretário esperou ansioso pela resposta. Quatro dias depois, chegou o telegrama do prefeito: “Movimento sísmico debelado. Epicentro preso, incomunicável, cadeia local. Desculpe demora. Houve terremoto na cidade”.
in Ernani &Nicola: Redação para o segundo grau – adaptado
Assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de texto unida a conhecimentos de semântica e gramática normativa: emprego de expressões temporais, concordância verbal, acentuação gráfica, pontuação e análise sintática.
Comentário da alternativa correta (A):
A alternativa A acerta ao afirmar que a expressão “cerca de 20 anos atrás” pode ser substituída por “há vinte anos”, sem prejuízo de sentido. Explicação: segundo Bechara e o Manual de Redação da Presidência da República, o verbo haver (‘há’) indica tempo decorrido. Assim, utilizar “há vinte anos” equivale a “faz vinte anos”. Expressões como “cerca de” ou “há cerca de” apenas adicionam a noção de aproximação, mantendo o sentido original: tempo passado aproximado.
Análise das alternativas incorretas:
B) Erro na classificação de acentuação: “política” e “anedotário” são proparoxítonas (todas acentuadas), e “inacreditáveis” é paroxítona terminada em ditongo. Não há três tipos diferentes conforme diz a alternativa.
C) O verbo haver no sentido de existir é impessoal (sempre no singular): correto = “Houve terremotos na cidade”. O uso “houveram” está errado – pegadinha comum!
D) Vírgula só é correta em “Preocupado, expediu…”, pois isola adjunto adverbial deslocado. Já em “O secretário, expediu…”, a vírgula nunca separa sujeito do predicado (erro gramatical grave segundo Cunha & Cintra).
E) Em “gostou de falar difícil”, o verbo gostar é transitivo indireto: exige “de”. O termo sublinhado não é objeto direto, mas sim objeto indireto ligado pela preposição.
Estratégia de prova: Atenção aos detalhes de regência, concordância e pontuação. Cuidado com pegadinhas envolvendo verbos impessoais e classificações morfológicas e sintáticas!
Dica de autor: Consulte Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e o Manual de Redação da Presidência para revisar situações de tempo verbal, uso de vírgula e regência.
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