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Ano: 2020
Banca:
GANZAROLI
Órgão:
Prefeitura de Araçu - GO
Provas:
GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Médico - Clínico Geral
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GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Educador Físico |
GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Enfermeiro |
GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Fisioterapeuta |
GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Cirurgião Dentista |
GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Engenheiro Florestal |
GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Gestor de Resíduos Sólidos |
GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Psicólogo |
GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Nutricionista |
GANZAROLI - 2020 - Prefeitura de Araçu - GO - Farmacêutico |
Q4271087
Não definido
Texto associado
Leia o texto e responda a questão.
O melhor presente do meu avô
Quando eu era criança, lá pelos idos dos anos 1950, morávamos em uma casa modesta. Ainda que pequena, acasa era mais estruturada do que a vizinhança: o entorno era um conjunto de residências muito simples e pobres. Todo final de ano, meu avô - um homem muito sensível - comprava doces, balas e outras tantas lembranças miúdas. Sem medar muitas explicações, me vestia de Papai Noel e, juntos, saíamos pelo bairro, distribuindo esses pequenos presentes
entre a garotada alvoroçada.
Ainda que seja uma tradição cristã, o Natal celebrado pelo meu avô me ajudou a aprender um importanteensinamento judaico: o tzedacá. A palavra é, muitas vezes, erroneamente entendida como “caridade”. Não se trata disso. Tzedacá é o sentimento de satisfação provocado por uma boa ação. É a noção de que, ao fazer o bem a alguém, quemsebeneficia é você.
Levo esse ensinamento por toda a vida, e o aplico à condução dos meus negócios no Grupo Boticário. Foi ele queorientou, por exemplo, a decisão de destinar 1% das receitas do grupo à manutenção da Fundação Grupo Boticário deProteção à Natureza - que, por sua vez, direciona esses recursos a projetos socioambientais e pesquisas científicas. Foi
por isso que criamos a maior fundação empresarial de conservação ambiental do Brasil.
Lembrei do tzedacá recentemente, quando vi uma das conclusões da Business Roundtable, uma associaçãosediada em Washington que reúne os diretores executivos das maiores empresas americanas. Depois de deliberações
entre os executivos dessas grandes empresas, a Business Roundtable emitiu uma nota, no final de agosto, com umasinalização importante e, para alguns, até surpreendente. Nela, os executivos declaram que suas empresas deveriam“perseguir o bem maior”. Segundo eles, os objetivos dessas grandes corporações deveriam incluir melhores práticas
socioambientais, que beneficiassem funcionários, consumidores, comunidades locais e o meio-ambiente de maneira geral. Em outras palavras, segundo a nota, gerar lucro para os acionistas não deveria ser a razão única da existência dessas
companhias.
As reações à nota foram diversas. Admito que parece mesmo uma inversão de valores - ou uma promessa boademais para ser verdade. Mas vejo nas conclusões desses executivos somente um passo lógico.
[...]
Hoje, vivemos uma crise ambiental que se agrava. Em todo o mundo, milhões de pessoas vivem abaixo da linha damiséria. Sozinhos, os governos não vão conseguir apresentar respostas a esses desafios. Diante desse mundo cada vezmais complexo, faz sentido que a razão de ser de uma empresa vá além de comprar e vender de maneira eficiente elucrativa. As empresas privadas são grandes centralizadoras de interesses. Elas interferem na vida de seus funcionários, consumidores e comunidades. É importante que abracem responsabilidades relacionadas a todos esses atores. De modo acriar ambientes mais sustentáveis, do ponto de vista ambiental e também social. De modo a criar sociedades mais justas.
Não se trata de uma boa ação. É algo essencial para a sobrevivência dessas companhias. Ao assumir
responsabilidades pela vida em seu entorno, elas garantirão a continuidade do próprio negócio. Serão premiadas pelos
consumidores, que vão preferir comprar de empresas que fazem o bem. E poderão contribuir para evitar um colapsoambiental, uma ameaça a cada dia mais palpável. Ao distribuir presentes para as crianças, meu avô e eu fazíamos mais
que um ato de caridade. Aquele pequeno gesto nos enriquecia. E eu, pessoalmente, me divertia muito. A vizinhança, daqual fazíamos parte, se tornava mais feliz. Por um breve instante, a vida melhorava para todos. É assim a vida emcomunidade. Vale para pessoas. E vale também para grandes corporações.
*Miguel Krigsner é fundador do Grupo Boticário e da Fundação Grupo Boticário e quer um mundo melhor para seus netos
KRIGSNER, M. O melhor presente do meu avô. [Adaptado]. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/blog/opiniao/o- melhor-presente-do-meu-avo/>. Acesso em: 19 dez 2019
A argumentação no texto é construída com a finalidade intencional de: