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Q3511204 Medicina
Um lactente com 3 meses é levado ao atendimento de emergência por ter apresentado pela primeira vez episódio de cianose e hipotonia, que durou cerca de 30 segundos. Os pais negam qualquer intercorrência antes ou tentativa de ajuda após o episódio. A história clínica revela ter nascido a termo e o exame físico no momento não mostra alterações. Não há uma condição médica que justifique o evento.
O pediatra responsável pelo atendimento deverá considerar o evento como de:
Alternativas

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Tema central: Episódio breve e inexplicado em lactente (BRUE). Trata-se de um evento súbito, curto e já resolvido (<1 min) em bebê <1 ano com um ou mais: cianose/palidez, alteração de respiração, mudança de tônus (ex.: hipotonia) ou responsividade alterada, sem causa após história e exame físico. O antigo termo era ALTE.

Raciocínio clínico: Lactente de 3 meses, a termo, primeiro evento, duração ~30 s, exame normal, sem necessidade de RCP por profissional de saúde e sem explicação clínica. Isso preenche critérios de BRUE de baixo risco: idade >60 dias; GA ≥32 semanas e idade pós-concepcional ≥45 semanas; evento único e <1 min; sem RCP por profissional; exame e história não preocupantes.

Conduta baseada em diretrizes (AAP 2016; UpToDate; SBP): Para baixo risco, é apropriado observar opcionalmente por 1–4 horas com oximetria contínua e reavaliações, orientar os cuidadores e oferecer recursos de RCP. Não indicar rotineiramente exames laboratoriais, EEG, neuroimagem, pHmetria, ecocardiograma ou internação.

Alternativa correta: A – Compatível com BRUE de baixo risco e observação opcional por 1–4 h. É exatamente a recomendação da AAP para esses casos.

Análise das incorretas

B – Classifica como alto risco e propõe oximetria ≥6 h. Os critérios de alto risco não estão presentes; prolongar monitorização sem indicação não traz benefício e aumenta custos.

C – Diz baixo risco mas solicita EEG. Para BRUE de baixo risco, EEG não é recomendado. Além disso, “12 derivações” é termo de ECG, evidenciando confusão conceitual (pegadinha clássica).

D – Classifica como alto risco e indica internação e exames laboratoriais. Internação é reservada a alto risco ou achados anormais; aqui, história e exame são tranquilizadores.

E – Reconhece baixo risco, porém indica exames laboratoriais e de imagem. Diretrizes desencorajam exames de rotina nesses casos por baixa utilidade diagnóstica.

Dicas de prova: Procure os “gatilhos” do baixo risco: idade >60 dias, termo, evento único e <1 min, sem RCP por profissional, exame normal e sem causa identificável. Evite cair na armadilha de pedir exames “para garantir”.

Referências: AAP Clinical Practice Guideline: Brief Resolved Unexplained Events (BRUE), 2016; UpToDate – Evaluation of BRUE; Recomendações da SBP que endossam a abordagem da AAP.

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