A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) exige diagnóstic...

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Q3916310 Medicina
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) exige diagnóstico clínico apoiado por exames objetivos em cenários selecionados e manejo individualizado que inclui medidas comportamentais, farmacoterapia e, em casos selecionados, terapias anti-refluxo. Considerando esse assunto, analise as afirmativas a seguir.
I.Endoscopia digestiva alta (EDA) é indicada em pacientes com sinais de alarme (ex.: disfagia, perda ponderal, sangramento) ou para investigação de complicações (esofagite erosiva, estenose péptica, esôfago de Barrett), mas não é necessária de rotina em pacientes com sintomas típicos e resposta clínica a inibidor da bomba de prótons (IBP).
II.A monitorização ambulatorial do refluxo (pH-metria / impedanciopH) - preferencialmente off inibidor de ácido quando for necessário documentar exposição ácida patológica - é o teste objetivo de referência quando há dúvida diagnóstica ou antes de cirurgia/endoscopia antirrefluxo.
III.Em pacientes com resposta incompleta ao IBP em dose única, primeiro deve-se otimizar adesão e timing da medicação; as opções subsequentes incluem escalonar para IBP bid, investigar causas alternativas (hipersensibilidade visceral, refluxo não-ácido, motilidade), e considerar cirurgia (fundoplicatura) ou terapias endoscópicas após documentação objetiva de refluxo patológico e seleção adequada do paciente.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A base de decisão, ancorada na diretriz ACG 2022, confirma que EDA é reservada para sinais de alarme ou complicações, que a monitorização ambulatorial do refluxo é o exame objetivo de referência quando há dúvida diagnóstica ou antes de terapia antirrefluxo, e que a resposta incompleta ao IBP deve começar por otimização de adesão e horário antes de escalonamento ou seleção para tratamento invasivo; por isso, as três assertivas estão corretas e a alternativa A é a única compatível.

Tema central: Diagnóstico e manejo da DRGE
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque reúne três proposições compatíveis com a diretriz citada na base. A assertiva I acerta ao não transformar a EDA em exame de rotina no paciente com sintomas típicos e boa resposta ao IBP, reservando-a para alarmes e complicações. A II acerta ao colocar pHmetria/impedâncio-pH como exame objetivo central para confirmar DRGE quando ela não está estabelecida e para seleção pré-terapia antirrefluxo, com preferência por estudo off IBP quando a finalidade é documentar exposição ácida patológica. A III acerta ao definir que, diante de resposta incompleta ao IBP, o primeiro passo é revisar adesão e timing, depois considerar escalonamento, investigar mecanismos alternativos e só indicar fundoplicatura ou terapia endoscópica após comprovação objetiva de refluxo e adequada seleção do paciente.
B
Errada
Incorreta porque exclui I e III, que estão de acordo com o manejo contemporâneo da DRGE. A I está correta ao indicar EDA para sinais de alarme e complicações, e ao não exigi-la de rotina em quadro típico responsivo a IBP. A III também está correta porque falha parcial ao IBP não deve ser rotulada antes de checar adesão e uso correto; além disso, cirurgia ou terapia endoscópica sem documentação objetiva do refluxo é conduta tecnicamente inadequada nesse cenário.
C
Errada
Incorreta porque exclui III, que reproduz o passo decisivo da DRGE refratária segundo a base: primeiro otimizar adesão e horário do IBP, depois considerar IBP em dose bid e investigar causas como hipersensibilidade esofágica, refluxo não ácido ou distúrbios motores. Também está correta ao condicionar fundoplicatura ou terapia endoscópica à comprovação objetiva de refluxo patológico; indicar intervenção invasiva apenas por persistência de sintomas seria inadequado.
D
Errada
Incorreta porque exclui II, e a II está correta. Na dúvida diagnóstica ou antes de cirurgia/endoscopia antirrefluxo, a monitorização ambulatorial do refluxo é o exame funcional objetivo central para confirmar e fenotipar DRGE. A base ainda distingue corretamente os contextos: preferencialmente off IBP quando o diagnóstico de DRGE ainda não foi objetivamente estabelecido, e estudo on IBP quando a DRGE já está comprovada e persiste sintomática apesar de tratamento otimizado.
Pegadinha da questão
A banca explora quatro confusões reais: tratar EDA como exame obrigatório em toda suspeita de DRGE, achar que EDA normal exclui DRGE, esquecer a diferença entre estudo off e on IBP, e aceitar cirurgia antirrefluxo apenas pela persistência dos sintomas sem comprovação objetiva.
Dica para questões semelhantes
  • Em DRGE típica com boa resposta ao IBP, não transforme EDA em exame de rotina; procure indicação formal como alarme ou complicação.
  • Se a questão perguntar qual exame confirma objetivamente DRGE quando o diagnóstico é duvidoso ou antes de terapia antirrefluxo, pense em pHmetria/impedâncio-pH.
  • Na falha ao IBP, o primeiro filtro é sempre adesão e horário de uso antes de chamar o caso de refratário.
  • Cirurgia ou terapia endoscópica antirrefluxo só entram quando há evidência objetiva de refluxo patológico e seleção adequada do paciente.

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