Escolar do sexo masculino, com 7 anos de idade, é resgatado ...
Escolar do sexo masculino, com 7 anos de idade, é resgatado de um lago após ser encontrado submerso por um período estimado em 2 a 3 minutos. Ao ser retirado da água, ele está inconsciente, com cianose labial e espuma abundante na boca e no nariz. Os socorristas iniciam o atendimento e, após abrir as vias aéreas, percebem que o menino não respira espontaneamente, mas apresenta pulso carotídeo forte e regular.
Qual é a conduta inicial mais adequada a ser tomada para esse paciente, de acordo com as diretrizes de reanimação pediátrica no afogamento?
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Tema central: reanimação pediátrica no afogamento. O afogamento é uma causa de hipóxia primária; assim, a prioridade é ventilar. Em crianças com pulso presente e sem respiração, faz-se ventilação de resgate em vez de compressões.
Alternativa correta: B — Realizar 5 ventilações de resgate iniciais e, mantendo pulso carotídeo forte, seguir com ventilações a 10/min (1 a cada 6 s), sem compressões, até retorno da respiração espontânea. Estratégia baseada nas diretrizes AHA/ILCOR para SBV/PALS: no afogamento, as primeiras ventilações ajudam a vencer laringoespasmo, reabrir alvéolos com perda de surfactante e corrigir hipoxemia. Com pulso >60 bpm e perfusão preservada, somente ventilação é indicada. Iniciar compressões apenas se ausência de pulso ou FC <60 bpm com má perfusão, apesar de ventilação adequada.
Pegadinha de prova: “cianose” e “espuma” sugerem gravidade, mas o dado decisivo é pulso presente e forte. Nessa situação, compressões não são prioridade; ventilar é o que salva.
Raciocínio clínico:
- Fisiopatologia: aspiração/laringoespasmo → hipoxemia → bradicardia → PCR. Interromper esse ciclo = ventilar cedo e bem com bolsa-válvula-máscara e O2 100% se disponível.
- Reavaliação contínua: monitorar FC, esforço respiratório e oxigenação; iniciar compressões se critérios surgirem.
Por que as demais estão incorretas?
A) Compressões 30:2 imediatamente: inadequado. Há pulso presente. Em crianças, compressões só se FC <60 bpm com sinais de má perfusão ou ausência de pulso. Além disso, no afogamento, iniciam-se 5 ventilações primeiro. (AHA PALS)
C) Decúbito lateral para “drenar água”: mito. Não se “drena” pulmão; o volume aspirado costuma ser pequeno e a prioridade é ventilação com pressão positiva. Posicionamento lateral só se o paciente estiver respirando e protegendo via aérea, para reduzir risco de aspiração.
D) Somente O2 por máscara e aguardar: insuficiente em apneia. Precisa de ventilação assistida com bolsa-válvula-máscara e O2 suplementar. Aguardar SAMU atrasaria a intervenção crítica.
E) Manobra de Heimlich para expulsar água: contraindicada no afogamento. Só se usa em obstrução por corpo estranho evidente. A manobra pode causar vômito/aspiração e atrasar a ventilação efetiva. (ILCOR/AHA)
Estratégia para provas:
- Identifique: 1) cenário de afogamento; 2) apneia; 3) pulso presente → escolha “ventilar primeiro”: 5 ventilações iniciais, depois 10/min. Inicie compressões apenas se critério de PCR ou FC <60 bpm com má perfusão.
Referências essenciais: AHA 2020/2025 Pediatric Life Support; ILCOR Consensus on CPR; UpToDate – Drowning in children; Recomendações da SBP (reanimação pediátrica) que endossam AHA/ILCOR.
Gabarito: B
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