Adolescente do sexo masculino, com 10 anos e 6 meses de ida...

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Q3541370 Medicina

Adolescente do sexo masculino, com 10 anos e 6 meses de idade, é levado ao pediatra devido à baixa estatura. Sua estatura atual é de 125 cm, o que corresponde a um escore-z de –2,5 para idade e sexo. A velocidade de crescimento nos últimos 12 meses foi de 5,5 cm/ano. O pai mede 160 cm; e a mãe, 148 cm. A idade óssea do adolescente, avaliada por radiografia de mão e punho, é de 8 anos. A história familiar revela que o pai apresentou estirão de crescimento e puberdade tardios, aos 16 anos, e que a mãe teve menarca aos 15 anos. Ao exame físico, o menino encontra-se em estágio Tanner I, sem dismorfias ou sinais de doenças crônicas.



Considerando o quadro clínico e os dados auxológicos, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial mais adequada a ser adotada.

Alternativas

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Tema central: avaliação de baixa estatura na infância/adolescência, diferenciando retardo constitucional do crescimento e da puberdade (RCCP), baixa estatura familiar (BEF), deficiência de GH e outras causas.

Alternativa correta: B — RCCP; conduta expectante

Justificativa clínica: Menino de 10a6m com baixa estatura (z = −2,5), porém com velocidade de crescimento adequada para pré-púbere (≈5–6 cm/ano; aqui 5,5 cm/ano), idade óssea atrasada (8 anos, atraso de ~2,5 anos), Tanner I e história familiar de puberdade tardia (pai e mãe). Esse conjunto é clássico de RCCP: criança “late bloomer” que cresce devagar no início, mas acompanha sua idade óssea e tende a atingir estatura final dentro do potencial genético. Conduta inicial: reassurar e acompanhar (auxologia a cada 4–6 meses; idade óssea anual). Em casos de importante impacto psicossocial e ausência de sinais puberais por volta dos 14 anos, pode-se considerar testosterona em baixa dose por curto período. Referências: UpToDate (Evaluation of short stature), Endocrine Society 2016/2019, SBP/SBEM.

Estratégia para a prova: olhe sempre para: 1) velocidade de crescimento (lenta na DGH; normal no RCCP); 2) idade óssea (normal na BEF; atrasada no RCCP/DGH); 3) história familiar (puberdade tardia favorece RCCP); 4) estágio puberal; 5) alvo genético [(160+148+13)/2 ≈ 160,5 cm].

Análise das alternativas:

A) BEF; incorreta. Na BEF a idade óssea é normal e a puberdade ocorre em tempo habitual. Aqui há atraso ósseo e história de puberdade tardia, favorecendo RCCP. Embora o alvo genético seja baixo, o padrão ósseo/puberal não condiz com BEF.

C) DGH; incorreta. Deficiência de GH tipicamente cursa com queda da velocidade de crescimento (<4–4,5 cm/ano), desvio progressivo da curva e outros achados (hipoglicemia neonatal, micropênis). Aqui a velocidade é adequada e o quadro é mais compatível com RCCP. Testes de GH não são a primeira etapa sem forte suspeita. Diretrizes da Endocrine Society recomendam testar apenas quando há sinais clínicos e auxológicos sugestivos.

D) BEI; incorreta. Baixa estatura idiopática requer exclusão de RCCP e BEF e costuma ter idade óssea próxima da cronológica. Neste caso, o atraso ósseo e a história familiar definem RCCP. Uso de rhGH em BEI é controverso e não é conduta inicial.

E) Síndrome de Turner; incorreta. Turner ocorre em sexo feminino. O enunciado descreve um menino; é uma pegadinha clássica.

Conduta prática inicial (provas e clínica): acompanhamento semestral (peso/estatura/VC), idade óssea anual, orientação familiar. Solicitar exames apenas se surgirem “red flags” (queda de VC, sinais sistêmicos). Considerar indução puberal com testosterona se atraso puberal persistir e houver impacto psicossocial. Referências: UpToDate; Harrison’s; SBP/SBEM.

Dica final: em RCCP, pense “baixa estatura + VC normal + idade óssea atrasada + família tardia = conduta expectante”.

Gabarito: B

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