Uma adolescente de 14 anos de idade é levada ao consultório ...
Uma adolescente de 14 anos de idade é levada ao consultório pediátrico pela mãe, que relata mudanças significativas no comportamento da filha nos últimos três meses. A paciente, antes sociável e com bom desempenho escolar, agora apresenta isolamento social, recusa a ir à escola, insônia, irritabilidade e queixas somáticas inespecíficas (cefaleia e dor abdominal recorrentes). A mãe menciona que a filha passa horas no celular e que se torna evasiva quando questionada sobre suas interações on-line. Recentemente, a paciente teve uma crise de choro intensa após receber uma notificação no celular, e a mãe notou que ela apagou rapidamente a mensagem. Ao ser questionada pelo médico, a adolescente reluta em falar, mas, após acolhimento, revela que colegas da escola têm postado fotos e comentários depreciativos sobre sua aparência em um grupo de mensagens, afirmando que isso se intensificou após ela ter se recusado a participar de uma “brincadeira humilhante” na escola. Ela expressa medo de ir à escola e de ver os agressores e relata sentir que “merece” o que está acontecendo.
Diante desse cenário, qual é a abordagem mais adequada para essa adolescente?
Gabarito comentado
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Tema central: O caso descreve uma adolescente vítima de bullying e cyberbullying, apresentando impactos significativos em seu comportamento e saúde mental. É fundamental ao médico pediatra reconhecer sinais, seguir condutas de proteção e atuar de modo multidisciplinar para mitigar riscos à saúde emocional.
Justificativa da alternativa correta (C):
A alternativa C é a mais adequada porque propõe uma abordagem integral e baseada em evidências:
- Reconhece formalmente o diagnóstico de bullying e cyberbullying, essenciais para um plano terapêutico.
- Acolhimento empático à adolescente e à família, minimizando sentimentos de culpa e isolamentos — ponto-chave segundo o 2º Boletim Técnico "Escola que Protege".
- Explica a natureza da violência (repetição, intencionalidade, impacto emocional), alinhado à Lei nº 14.811/2024 que define e criminaliza essas práticas no contexto de crianças e adolescentes.
- Orienta intervenção formal na escola e suporte psicológico: conduta respaldada por diretrizes nacionais e internacionais (ex: OMS). O tratamento deve ser intersetorial e envolver a escola, família e recursos especializados.
Estudos científicos recentes indicam que o bullying está fortemente associado a sintomas de ansiedade, depressão e maior risco de TEPT (arxiv.org/abs/2306.06552). Portanto, essa abordagem visa a proteger a adolescente, atender ao aspecto legal e restaurar a saúde mental.
Análise das alternativas incorretas:
- A) Indicar ansiolítico sem avaliação psiquiátrica e ignorar o contexto escolar é inadequado; a raiz do problema é ambiental e exige intervenção multiprofissional.
- B) Retirar o celular e ignorar os agressores despreza o sofrimento psíquico e o papel legal/protetivo da escola (pegadinha: escola não é isenta mesmo em casos virtuais segundo a Lei 14.811/2024).
- D) Transferência escolar imediata trata apenas o sintoma, podendo perpetuar a revitimização e reforçar o estigma sem abordar a responsabilização dos agressores.
- E) Registrar BO pode ser um passo, mas não deve ser a primeira e principal medida. O foco inicial é acolher a vítima, interromper o ciclo e ativar a rede de proteção. Judicialização é adjuvante, não o centro da conduta médica.
Dica para concursos: Identifique termos como “ignorar”, “imediata”, “única”, “principal medida” – expressões absolutas geralmente indicam alternativas incorretas. Busque opções de abordagem integral, intersetorial e baseada em evidências.
Em resumo: Diagnóstico, acolhimento, compreensão do fenômeno e atuação conjunta família-escola-saúde são pilares respaldados por protocolos e pela Lei 14.811/2024.
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