Uma pediatra avalia um menino de 30 meses de idade, trazido...
Uma pediatra avalia um menino de 30 meses de idade, trazido pelos pais devido a preocupações com seu desenvolvimento. Os pais relatam que, por volta dos 18 meses, o menino começou a falar algumas palavras, mas, desde então, não houve progressão significativa na linguagem e ele raramente usa frases de duas palavras. Ele prefere brincar sozinho, enfileirando seus carrinhos por horas, e fica extremamente angustiado com pequenas mudanças na rotina, como a troca de um móvel de lugar. Quando os pais tentam interagir com o menino durante a brincadeira, ele frequentemente os ignora ou reage com irritabilidade. Ele não aponta para objetos de interesse e tem dificuldade em manter contato visual durante as interações. No entanto, ele responde prontamente ao ser chamado pelo nome e demonstra afeto físico pelos pais quando está calmo.
Com base nesse caso e nos critérios diagnósticos do transtorno do espectro autista (TEA) conforme o DSM-5, qual das seguintes afirmações é a correta?
Gabarito comentado
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Tema central: Transtorno do Espectro Autista (TEA) no DSM-5: exige déficits persistentes de comunicação/ interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, com início precoce e prejuízo funcional, não explicados melhor por deficiência intelectual.
Por que a alternativa correta é a B: O caso mostra: atraso/regressão de linguagem (sem frases de 2 palavras aos 30 meses), déficit de atenção conjunta (não aponta), contato visual reduzido e pouca reciprocidade social, além de interesses restritos (enfileirar carrinhos) e insistência em rotinas (angústia com mudanças). Esses achados cumprem os domínios do DSM-5 para TEA. O M-CHAT-R/F (aplicável de 16–30 meses) provavelmente viria em zona de risco elevado, o que justifica encaminhamento imediato para avaliação diagnóstica multidisciplinar e início precoce de intervenção. Diretrizes: AAP 2020; SBP; DSM-5; UpToDate.
Análise das incorretas:
A) Responder ao nome não descarta TEA. Crianças com TEA podem responder em contextos familiares. Avaliação audiológica é importante no atraso de linguagem, mas não substitui a investigação de TEA quando há déficits sociais e comportamentos repetitivos. (AAP/UpToDate)
C) “Transtorno da linguagem expressiva” isolado não explica déficits de interação social (atenção conjunta, contato visual) nem RRBs. Fonoaudiologia é necessária, mas isoladamente é insuficiente no TEA; são indicadas intervenções comportamentais estruturadas (p.ex., NDBI/ESDM, ABA naturalista) com equipe multiprofissional. (AAP/SBP)
D) TOC envolve obsessões egodistônicas e compulsões para alívio de ansiedade, mais típicas em idades maiores. No caso, há rigidez e rotinas típicas de TEA, sem ideação obsessiva. O encaminhamento prioritário é avaliação para TEA, não TOC.
E) Afeto físico e resposta ao nome não excluem TEA. Há múltiplos sinais de alto risco; a conduta não é “observar 6 meses”, e sim encaminhar e intervir precocemente, aproveitando a neuroplasticidade nos primeiros anos. (AAP 2020)
Diagnóstico e conduta prática: Triagem com M-CHAT-R/F; se alto risco, encaminhamento direto para equipe (neuropediatria/psiquiatria infantil, psicologia, fono, TO). Avaliar audição e visão; após confirmação diagnóstica, considerar investigação genética conforme AAP (ex.: CMA, FRAX em meninos). Iniciar intervenções precoces baseadas em evidências (NDBI/ESDM, ABA naturalista, TEACCH), além de fonoaudiologia e orientação parental.
Estrategia para a prova: No enunciado, destaque “não aponta”, “brincar repetitivo”, “angústia com mudanças” e “pouca reciprocidade social”. Não caia na pegadinha de achar que responder ao nome/ter afeto exclui TEA.
Gabarito: B
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