Lactente do sexo masculino, com 5 meses e 15 dias de idade,...

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Q3541366 Medicina

Lactente do sexo masculino, com 5 meses e 15 dias de idade, foi levado ao pronto-socorro por quadro de dificuldade para respirar hoje. Há 3 dias ele apresenta tosse, coriza e febre não aferida. Foi um bebê a termo, sem intercorrências na maternidade, e está em aleitamento materno exclusivo. Ao exame físico, encontra-se afebril, ativo e reativo, com frequência respiratória de 60 irpm, frequência cardíaca de 138 bpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, mucosas relativamente secas, com fontanela plana e normotensa, ausculta pulmonar com roncos e sibilos difusos. Há presença de tiragem subcostal e intercostal. Apresenta saturação de oxigênio em ar ambiente: 89%, ausculta cardíaca normal e fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito.



Qual é a conduta mais adequada a ser seguida nesse momento?

Alternativas

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Tema central: Lactente com quadro típico de bronquiolite viral aguda, com hipoxemia (SpO2 89%) e sinais de esforço respiratório (tiragens, taquipneia, sibilos difusos). Conduta é suporte: oxigênio e hidratação.

Alternativa correta: A – Fornecer oxigênio e hidratação parenteral.

Justificativa clínica: Em bronquiolite, o tratamento é de suporte. Oxigênio suplementar está indicado quando a saturação em ar ambiente é < 90–92% (AAP 2014/2018; SBP Diretriz de Bronquiolite; UpToDate). Objetivo: manter SpO2 ≥ 90–92%. O lactente tem mucosas secas e importante desconforto respiratório, o que reduz a ingesta oral; portanto, é apropriada hidratação parenteral (ou sonda nasogástrica) para corrigir/evitar desidratação. Aspirar vias aéreas altas e posicionamento também ajudam. Não há indicação rotineira de broncodilatadores, corticoides ou antivirais.

Diagnóstico e raciocínio: Idade < 12 meses, pródromo viral (coriza/tosse/febre), sibilos difusos e tiragens sugerem bronquiolite. A “hepatomegalia” discreta (2 cm) pode ocorrer por hiperinsuflação, não por insuficiência cardíaca. Exames complementares (Rx, gasometria) não são necessários de rotina e reservam-se a casos atípicos/gravidade (AAP; SBP).

Por que as demais estão incorretas?

B) Inalação com SF e prednisolona VO: Falta oxigênio apesar de SpO2 89% (principal medida). Corticoides sistêmicos não reduzem desfechos na bronquiolite e não são recomendados de rotina (AAP/SBP). Nebulização com soro fisiológico isolado tem benefício incerto.

C) Oxigênio, SF e oseltamivir VO: Oxigênio é adequado, mas oseltamivir só se suspeita forte ou confirmação de influenza e início precoce; aqui o quadro é típico de VSR e há 3 dias de sintomas. Além disso, negligencia a hidratação necessária.

D) Salbutamol e prednisolona VO: Em bronquiolite, broncodilatadores e corticoides não são indicados rotineiramente (fisiopatologia de edema/muco, não broncoespasmo). E omite o oxigênio, essencial pela hipoxemia.

E) Oxigênio e furosemida: Diurético não é indicado; não há sinais de sobrecarga volêmica. A “hepatomegalia” é provavelmente por hiperinsuflação. Furosemida pioraria a desidratação.

Pontos-chave de prova (evite pegadinhas):

- Em lactente com sibilos + quadro viral, pense em bronquiolite e procure a saturação. SpO2 <90–92% = oxigênio.

- “Fígado palpável” pode ser por hiperinsuflação, não IC.

- Suporte é a base: oxigênio, hidratação (IV/NG), aspiração nasal; evitar corticoides, broncodilatadores e antivirais de rotina.

Referências: AAP Clinical Practice Guideline: Bronchiolitis (2014, update); Sociedade Brasileira de Pediatria – Bronquiolite Aguda; UpToDate – Acute bronchiolitis in infants and children.

Gabarito: A

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