Lactente, 35 dias de vida, com síndrome de Down, estenose in...

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Q3541365 Medicina

Lactente, 35 dias de vida, com síndrome de Down, estenose infundibular pulmonar, comunicação interventricular, hipertrofia concêntrica do ventrículo direito e dextroposição da aorta, ainda está internado, desde o nascimento, para melhora do seu peso. Apresentou, imediatamente após a punção de acesso venoso, um quadro de choro inconsolável e piora nítida da cianose.



Para o atendimento dessa criança, além de oxigênio, o que deve ser prescrito?

Alternativas

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Tema central: A questão aborda o manejo da crise hipercianótica (crise de Tet) em um lactente com Tetralogia de Fallot (TF). Este é um quadro emergencial caracterizado por agravamento súbito da cianose, geralmente precipitado por eventos como estresse ou procedimentos dolorosos.

Contextualização clínica: A Tetralogia de Fallot cursa com fluxo pulmonar reduzido e, diante de estímulos estressantes, pode haver aumento abrupto do shunt da direita para a esquerda, levando à hipoxemia intensa e, clinicamente, ao quadro típico de crise: choro, agitação, cianose intensa e agravamento rápido do estado geral.

Justificativa da alternativa correta (B – Morfina): O tratamento visa reduzir a demanda metabólica, acalmar o paciente e minimizar a hiperventilação e o consumo de oxigênio. A morfina é indicada porque deprime o sistema nervoso central, reduzindo ansiedade, ventilação e taquicardia, além de potencialmente aliviar espasmo infundibular. Segundo o Manual MSD: "o tratamento médico padrão inclui morfina, fenilefrina e betabloqueadores" em crises hipercianóticas. Isso é reforçado pelo Tratado de Pediatria da SBP (2021). Portanto, após administração de oxigênio, a morfina IV é a conduta de escolha.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Prostaglandina IV: indicada para manter canal arterial patente em cardiopatias com dependência de canal em recém-nascidos antes de diagnóstico e estabilização, mas não para crises de Tet após o período neonatal.
  • C) Diurético: não resolve obstrução infundibular, não tem ação no alívio da crise; usado apenas se houver congestão pulmonar, o que não é o caso.
  • D) Vasodilatador sistêmico: diminui pós-carga sistêmica, pode piorar o shunt direita-esquerda e agravar a hipoxemia.
  • E) Broncodilatador inalatório: não tem papel em crises hipercianóticas, pois a fisiopatologia é cardíaca e não pulmonar.

Estratégia de prova e atenção à pegadinha: Note que termos como “prostaglandina” ou “broncodilatador” costumam confundir quem associa cianose sempre a pulmão ou canal arterial; foque sempre no mecanismo fisiopatológico da questão.

Resumo: Para crise hipercianótica, após estabilizar e administrar oxigênio, morfina intravenosa é o fármaco de escolha (Manual MSD, Tratado SBP, UpToDate).

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