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Q3509245 Português
Instrução: Leia o texto a seguir para responder à questão.


Emergência neurológica


Governos devem focar nessas doenças, ligadas ao envelhecimento populacional


Da perspectiva da saúde individual, efeitos importam mais que causas. São eles a diminuir a qualidade de vida dos pacientes, e foi ajustando esse foco que nova análise do relatório "Fardo Global da Doença" apontou as enfermidades neurológicas como problema central do presente.

O estudo publicado no periódico The Lancet Neurology revela que, em 2021, 43% da população mundial, 3,4 bilhões de pessoas, enfrentaram doenças do sistema nervoso, como demências, cefaleias ou acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Essas patologias cresceram mais de 50% desde a década de 1990 e ultrapassaram as cardiovasculares, antes consideradas mais prevalentes. Tal mudança decorre de vários fatores, até metodológicos.

O escopo de distúrbios neurológicos do relatório avançou de 15 para 37, incluindo síndromes como complicações da Covid-19. Além disso, o AVC passou a ser classificado como problema neurológico, e não mais cadiovascular.

O AVC não deixou de ter como origem a obstrução de vaso sanguíneo no cérebro. Os efeitos desses acidentes num órgão vital, como paralisias, é que pesaram mais que a etiologia para classificá-los entre as patologias neurológicas.

Há, porém, fenômeno subjacente mais significativo que alterações de critérios: o envelhecimento da população. Com mais idosos, aumenta a prevalência de moléstias características dessa faixa etária, como Alzheimer, Parkinson e AVCs.

A tendência é global e se manifesta também em países de renda média, como o Brasil. Entre os censos de 2010 e 2022, a parcela de habitantes com 65 anos ou mais no país passou de 14 milhões (7,4%) para 22 milhões (10,9%) — o aumento absoluto foi de 57,4%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia que a região das Américas não conta com o preparo desejável para lidar com o envelhecimento progressivo.

Nada menos que 75% dos brasileiros idosos dependem exclusivamente do SUS. Desde 2018, o serviço tem diretrizes para essa fase da vida, com foco em tratamento, prevenção e qualidade de vida — como deve ser e como se torna doravante imperioso aprofundar.


([email protected]. 17.03.2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/03/emergencianeurologica.shtml. Acesso em 06 de abril de 2024.) 
Sobre recursos linguísticos e gramaticais usados nesse texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Da perspectiva da saúde individual, efeitos importam mais que causas. São eles a diminuir a qualidade de vida dos pacientes. O termo em destaque colabora para a coesão do texto, já que referencia um termo anterior.
( ) Há, porém, fenômeno subjacente mais significativo que alterações de critérios. Esse trecho exemplifica o registro formal da linguagem.
( ) O vocábulo envelhecimento é um substantivo comum, formado pelo processo de derivação imprópria.
( ) O trecho A Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia que a região das Américas não conta com o preparo desejável para lidar com o envelhecimento progressivo é um exemplo de um período composto por subordinação.

Assinale a sequência correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B — V, V, F, V

Tema central: Esta questão aborda recursos linguísticos relacionados à coesão textual (uso de pronomes), registro formal da linguagem, formação de palavras (derivação), período composto por subordinação e interpretação textual.

Análise das afirmativas:

1. (V) O termo “eles” é um pronome pessoal que retoma “efeitos” do período anterior, garantindo coesão referencial. Segundo Bechara, este recurso é fundamental para manter a continuidade textual e evitar repetições desnecessárias. A questão exige identificar esse mecanismo de coesão do texto.

2. (V) O trecho apresenta vocabulário preciso e estrutura sintática elaborada, típicos do registro formal. Textos jornalísticos e científicos — como editoriais — priorizam esse padrão linguístico, de acordo com o Manual de Redação da Presidência da República. Isso garante impessoalidade e clareza ao texto.

3. (F) “Envelhecimento” é um substantivo comum, mas não é formado por derivação imprópria. Ele deriva do verbo “envelhecer” com o acréscimo do sufixo “-mento”, um típico caso de derivação sufixal. Na derivação imprópria, a classe gramatical se altera sem mudança na forma da palavra (ex.: “o jantar” – verbo para substantivo), o que NÃO ocorre aqui. Segundo Cunha & Cintra, o acréscimo de sufixo já caracteriza derivação sufixal.

4. (V) O período citado é composto por subordinação, pois há uma oração principal “A Organização Mundial da Saúde avalia” e uma oração subordinada objetiva direta “que a região das Américas não conta…”. Esse tipo de construção é típico em textos que necessitam apresentar informações complexas e articuladas — como editoriais e relatórios técnicos, muito presentes na área de Arquitetura e Urbanismo.

Por que as alternativas incorretas não servem? Muitas vezes, questões desse tipo exploram confusões entre processos de formação de palavras. Para não errar, associe sempre sufixação a mudança formal (sufixo) e imprópria a mudança de classe sem alteração da palavra.

Estratégia para provas: Atenção aos pronomes e ao tipo de período; leia destacando as relações entre as frases e identifique a função do termo destacado — isso evita confundir coesão e processos de formação de palavras.

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