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Q3222277 Medicina
Paciente sofreu trauma direto na orelha durante uma luta, com formação de hematoma auricular. Qual a conduta inicial? 
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Tema central: Hematoma auricular pós-trauma. O sangue se acumula entre o pericôndrio e a cartilagem do pavilhão. Como a cartilagem é avascular e depende do pericôndrio para nutrição, essa separação causa isquemia, necrose e reparo fibroso irregular, levando à deformidade típica de “orelha em couve-flor” se não tratada precocemente.

Alternativa correta: A – Drenagem imediata do hematoma e enfaixamento compressivo. Essa é a conduta de escolha porque remove o coágulo, reaproxima pericôndrio-cartilagem e previne recidiva do acúmulo sanguíneo. O curativo compressivo (bolster) mantém pressão uniforme e reduz o espaço morto. Na prática: anestesia local, assepsia, aspiração por agulha (hematomas pequenos, < 24–48 h) ou incisão e drenagem (grandes/organizados), seguido de curativo compressivo bilateral (rolos dentários ou moldes de silicone) por 5–7 dias e reavaliação em 24–48 h. Algumas referências sugerem antibioticoprofilaxia contra Staphylococcus aureus (e Pseudomonas em casos selecionados), porém como adjunto, não como tratamento isolado.

Raciocínio diagnóstico: aumento de volume flutuante e doloroso na face anterior do pavilhão (fossa escafóide/antélice), após trauma. Diagnóstico é clínico. Ultrassom pode auxiliar se dúvida. Tomografia só se houver sinais de lesão craniofacial associada.

Análise das alternativas incorretas:

B – Corticosteroides tópicos: não evacuam o hematoma nem restauram a nutrição da cartilagem; não previnem “couve-flor”.

C – Antibioticoterapia empírica: isoladamente é insuficiente. O problema é mecânico (coleção). Antibiótico pode ser adjuvante após drenagem, não a primeira medida.

D – Tomografia de crânio: não indicada na ausência de sinais de trauma craniano/temporal, déficit neurológico ou fratura. Em hematoma auricular isolado, é desnecessária como conduta inicial.

E – Aguardar resolução espontânea: aumenta risco de necrose cartilaginosa e deformidade permanente. A janela de ouro é nas primeiras 24–72 h.

Pegadinhas e estratégia: Diante das palavras “trauma” e “hematoma auricular”, pense em evacuação + compressão. Não confunda com pericondrite isolada (que cursa com eritema, calor e supuração, onde o antibiótico é central).

Referências: UpToDate – Auricular hematoma and cauliflower ear; Cummings Otolaryngology; Tintinalli’s Emergency Medicine. Todas recomendam drenagem precoce com curativo compressivo para evitar deformidade.

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