Paciente de 62 anos, tabagista, apresenta disfonia progressi...

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Q3222272 Medicina
Paciente de 62 anos, tabagista, apresenta disfonia progressiva há 3 meses, sem dor ou dificuldade para engolir. A laringoscopia revela lesão exofítica unilateral em prega vocal. Qual a principal hipótese diagnóstica? 
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Tema central: disfonia progressiva em idoso tabagista com lesão exofítica unilateral em prega vocal — quadro clássico de neoplasia glótica.

Gabarito: D - Carcinoma de laringe

Justificativa da correta (raciocínio clínico)
- Fatores de risco: idade avançada e tabagismo.
- Sintoma-chave: disfonia que progessa por semanas/meses. Em glote, o câncer se manifesta precocemente por rouquidão persistente.
- Aparência: lesão exofítica em prega vocal é típica de carcinoma escamoso glótico inicial.
- Ausência de dor/disfagia não afasta câncer glótico (estes sintomas são mais comuns em supraglote/subglote).
Estratégia de prova: em tabagista com disfonia >2–3 semanas + achado exofítico na prega vocal, pense primeiro em carcinoma (UpToDate; NCCN Head and Neck; INCA).

Diagnóstico e conduta inicial
- Confirmação: videolaringoscopia com biópsia (padrão-ouro).
- Estadiamento: TC/MRI para extensão local e linfonodal; TNM AJCC 8ª edição.
- Tratamento (resumo): tumores glóticos iniciais (T1–T2) com microcirurgia a laser ou radioterapia; cessação do tabagismo é mandatória. Doença avançada pode requerer tratamento combinado. Diretrizes: NCCN; Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

Análise das alternativas incorretas

  • A — Edema de Reinke: típico em tabagistas, mas costuma ser bilateral e difuso, com aspecto “gelatinoso” das pregas, não lesão exofítica focal. Disfonia crônica estável, não necessariamente progressiva em 3 meses.
  • B — Cisto vocal: lesão subepitelial, lisa e arredondada, geralmente única, sem aspecto vegetante. Pode causar disfonia, porém a descrição exofítica em tabagista favorece neoplasia.
  • C — Pólipo vocal: costuma ser único e pediculado, muitas vezes após fonotrauma com instalação aguda de disfonia. Em idosos tabagistas com evolução progressiva, a prioridade diagnóstica é excluir carcinoma.
  • E — Paralisia de prega vocal: cursa com imobilidade da prega, voz soprosa e fendas glóticas; não gera lesão exofítica. Etiologias incluem neuropatias, cirurgias cervicais/torácicas.

Pegadinha comum: pólipo e cisto podem ser unilaterais e causar disfonia, mas a evolução progressiva, o tabagismo e a morfologia exofítica em prega vocal devem direcionar para carcinoma glótico.

Referências rápidas: UpToDate (Laryngeal cancer: clinical manifestations, diagnosis); NCCN Guidelines Head and Neck Cancers; INCA – Câncer de Laringe; Cummings Otolaryngology; Harrison’s.

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