Homem de 48 anos, sabidamente portador de epilepsia, em trat...

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Q3058021 Medicina
Homem de 48 anos, sabidamente portador de epilepsia, em tratamento antiepiléptico irregular, deu entrada no prontosocorro trazido pelo corpo de bombeiros, após relato de ter apresentado três crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas consecutivas, encontrando-se em período pós-ictal na sua admissão ao hospital. Gasometria arterial realizada revela: pH 7,14, pCO2 35 mmHg, K 3,5 mEq/L, Na 141 mEq/L, Cloro 98 mEq/L, bicarbonato 14 mEq/L.
Os distúrbios acidobásicos apresentados são:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda distúrbios acidobásicos, fundamentais na prática clínica, principalmente em emergências, exigindo análise criteriosa da gasometria arterial e adequada interpretação do contexto clínico.

Justificativa da alternativa correta (E):
No cenário descrito, paciente pós-convulsão apresenta acidose (pH 7,14), bicarbonato reduzido (14 mEq/L) e pCO₂ normal-alto para o contexto (35 mmHg). Ao calcular o ânion gap:

Ânion gap = Na⁺ – (Cl⁻ + HCO₃⁻) = 141 – (98 + 14) = 29 mEq/L.

Valores normais de ânion gap giram em torno de 8-12 mEq/L; portanto, há acidose metabólica com ânion gap elevado. As convulsões geram intenso metabolismo anaeróbico muscular, elevando o ácido láctico e explicando o distúrbio metabólico. Segundo o Harrison’s Principles of Internal Medicine: "...no contexto de atividade muscular intensa, como convulsões, a acidose láctica é diagnóstico diferencial fundamental."

O pCO₂ não está diminuído como se esperaria numa compensação respiratória (pela fórmula de compensação de Winter: pCO₂ esperado ≈ [1,5 x HCO₃⁻] + 8 ± 2 = 29-33 mmHg). Como o pCO₂ está 35 mmHg, há componente de acidose respiratória associada, provavelmente por hipoventilação pós-ictal.

Desta forma, o paciente apresenta acidose metabólica com ânion gap elevado e acidose respiratória. Isso é respaldado por consensos como a UpToDate e diretrizes internacionais—há recomendação para sempre pesquisar causas de acidose láctica em convulsão.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta. Há ânion gap elevado, não normal (hiperclorêmica).
B) Incorreta. Embora haja acidose metabólica, não há hiperventilação (pCO₂ não está reduzido).
C) Incorreta. Não há dados clínicos nem laboratoriais que sustentem acidose tubular renal. A acidose respiratória é secundária à hipoventilação pós-ictal.
D) Incorreta. Novamente, o ânion gap não é normal, mas elevado.

Observações para provas: Sempre calcule o ânion gap e utilize fórmulas de compensação para identificar distúrbios mistos. Atenção para situações clínicas que precipitam acidose láctica!

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alternativa correta: E

justificativa

A gasometria do paciente revela um pH de 7,14, indicando acidose. O bicarbonato (HCO₃⁻) está reduzido (14 mEq/L), o que sugere uma acidose metabólica. Além disso, a pCO₂ (35 mmHg) está dentro do intervalo de referência normal, o que sugere que o organismo ainda não está compensando adequadamente essa acidose com uma hiperventilação (que normalmente reduziria a pCO₂ em casos de acidose metabólica).

A combinação de acidose metabólica com bicarbonato reduzido e a pCO₂ normal (sem hiperventilação significativa) pode estar associada a um compensação respiratória inadequada, ou seja, uma acidose respiratória leve com compensação insuficiente, o que resulta em acidose metabólica com ânion-gap normal.

análise das demais alternativas

[A]: Acidose metabólica pura com ânion-gap normal (hiperclorêmica) - Apesar da acidose metabólica, não há aumento do ânion-gap (evidência de ácidos não medidos), o que sugere que não é uma acidose hiperclorêmica.

[B]: Acidose metabólica associada à hiperventilação pulmonar - Não há evidências de hiperventilação (a pCO₂ não está reduzida, o que excluiria esta alternativa).

[C]: Acidose respiratória associada à acidose tubular renal - A pCO₂ não está elevada, o que exclui a presença de acidose respiratória. Além disso, não há sinais de disfunção renal ou acidose tubular renal.

[D]: Acidose respiratória e acidose metabólica com ânion-gap normal - Não há acidose respiratória, pois a pCO₂ não está elevada. Portanto, essa alternativa não é correta.

resumo

A gasometria mostra acidose metabólica com bicarbonato baixo e pH reduzido, e uma pCO₂ normal, indicando uma acidose metabólica com compensação respiratória inadequada.

pontos chave

  • Acidose metabólica (bicarbonato baixo e pH reduzido).
  • Compensação respiratória insuficiente (pCO₂ não alterada).
  • Não há evidências de acidose respiratória.

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