Escolar, 9 anos, masculino, há 15 dias apresentou quadro de ...
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Tema central: quadro típico de Síndrome de Guillain-Barré (SGB) pós-infecção gastrointestinal (diarreia prévia), com fraqueza simétrica ascendente, arreflexia e parestesias. O líquor mostra dissociação albumino-citológica (proteína elevada com células e glicose normais), achado clássico. Em provas, pense em SGB quando houver fraqueza progressiva em dias, arreflexia e antecedente infeccioso.
Gabarito: A — Imunoglobulina intravenosa (IVIG)
Justificativa clínica: Criança não deambula, com progressão subaguda e LCR compatível com SGB. O tratamento específico de escolha é IVIG, com eficácia equivalente à plasmaférese, porém com maior praticidade e segurança em pediatria. Esquema: 2 g/kg de dose total, geralmente em 2–5 dias. Não associar IVIG e plasmaférese na mesma fase. Além disso, fazer suporte: monitorar capacidade vital forçada (risco de insuficiência respiratória), autonomia cardiovascular e dor neuropática. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine, UpToDate (SGB in children), diretrizes AAN/Cochrane.
Análise das alternativas:
A - Imunoglobulina: Correta. Reduz tempo de ventilação, acelera recuperação e diminui progressão quando iniciada precocemente em pacientes não deambulantes ou com piora rápida. É a primeira linha em pediatria.
B - Plasmaférese: Eficaz e equivalente à IVIG em adultos e crianças, porém é menos prática, requer acesso venoso central e equipe especializada. Em questões com única alternativa, prioriza-se IVIG como opção inicial na criança. Não superior à IVIG e não devem ser combinadas.
C - Corticosteroides: Não indicados na SGB aguda. Ensaios mostram ausência de benefício e possível piora do tempo de recuperação quando usados isoladamente (prednisona/metilprednisolona). Diretrizes AAN e revisões Cochrane contraindicam como monoterapia.
D - Imunossupressores: Não têm papel no manejo agudo da SGB. Podem ser considerados em outras neuropatias (ex.: CIDP), mas não na fase aguda da SGB.
E - Anti-inflamatório não esteroide: Podem ajudar na analgesia, porém não modificam a história natural da doença e não tratam o processo autoimune.
Dicas de prova e armadilhas: “Nível sensitivo” torácico pode confundir com mielite; na SGB pode haver pseudo-nível sensitivo. O achado que orienta para neuropatia periférica é a arreflexia e o LCR com dissociação albumino-citológica. Iniciar imunoterapia se o paciente não deambula ou apresenta piora rápida nas primeiras 4 semanas.
Fontes: Harrison’s; UpToDate (Guillain-Barré syndrome in children); AAN Practice Parameter; Cochrane Reviews sobre IVIG e plasmaférese em SGB.
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