Com relação à infecção por Helicobacter pylori, analise os ...
I - Helicobacter pylori é uma bactéria gramnegativa em forma de espiral transmitida pela via fecal-oral que pode estar presente no trato gastrointestinal de mais da metade das pessoas em todo o mundo.
II - A infecção por H. pylori está associada a doenças gastrointestinais inferiores, como gastrite crônica, úlcera péptica e malignidade gástrica.
III - Adultos e crianças infectados com H. pylori podem ser assintomáticos ou apresentar sintomas como dispepsia, dor abdominal epigástrica ou sinais de sangramento gastrointestinal.
IV - O tabagismo e o uso crônico de antiinflamatórios não esteróides (AINEs) podem diminuir significativamente o risco de úlcera péptica em pessoas infectadas com H. pylori.
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Tema central: Infecção por Helicobacter pylori — epidemiologia, transmissão e manifestações clínicas. Trata-se de bactéria que coloniza a mucosa gástrica e está fortemente associada a gastrite crônica, úlcera péptica e neoplasias gástricas.
Gabarito: B (I e III)
Por que está correto:
I. H. pylori é gram-negativa, em espiral e sua transmissão é predominantemente fecal-oral e oral-oral. A prevalência global já foi >50% (ainda elevada em países em desenvolvimento), o que sustenta a assertiva. Evidências epidemiológicas clássicas e diretrizes (Maastricht VI/Florence; ACG) corroboram esses pontos.
III. O espectro clínico vai de assintomático a dispepsia/ dor epigástrica e hemorragia digestiva quando há úlcera ou erosões. Esse padrão é amplamente descrito em Harrison’s e UpToDate.
Por que as outras estão incorretas:
II. Fala em “doenças gastrointestinais inferiores”, porém as condições citadas (gastrite, úlcera péptica, malignidade gástrica) são de trato gastrointestinal superior. A associação com H. pylori é correta, mas o termo anatômico inapropriado invalida o item. Pegadinha clássica: atenção a palavras que delimitam topografia.
IV. Afirma que tabagismo e uso crônico de AINEs diminuem o risco de úlcera em infectados. É o oposto: ambos aumentam o risco e complicações (sangramento), com efeito sinérgico quando associados ao H. pylori. Tabagismo piora cicatrização e recidiva; AINEs lesionam a mucosa por inibição de prostaglandinas (ACG 2022; UpToDate).
Estratégia de prova: 1) Cuidado com termos como “inferiores/superiores”. 2) Desconfie de verbos absolutos (aumenta/diminui) quando contrariam fisiopatologia bem estabelecida. 3) Em epidemiologia, valores aproximados e vias principais de transmissão costumam bastar.
Pérolas práticas: Diagnóstico preferencial em não endoscópicos: teste respiratório da ureia e antígeno fecal; em endoscopia: teste da urease/ histologia. Tratamento de primeira linha em muitos cenários: terapia quádrupla com bismuto por 10–14 dias, considerando altas taxas de resistência à claritromicina (ACG 2022; Maastricht VI).
Referências: ACG Clinical Guideline: Treatment of H. pylori (2022); Maastricht VI/Florence Consensus (2022); UpToDate (acesso 2024); Harrison’s Principles of Internal Medicine.
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