Tipologia textual refere-se à organização discursiva do te...

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Q3794936 Português

Leia o texto III a seguir e responda à questão.


Texto III


Realização pessoal ou tormento?


Autor anônimo 



A palavra trabalho originou-se do termo latino tripalium (ou trepalium), que nomeava um instrumento utilizado para torturar os escravos, no século VI. Naquela época, o “trabalhador” não era uma vítima, como hoje em dia, em que ele é “escravizado”, mas, sim, um torturador que castigava os prisioneiros. Antes de significar “atividade ou exercício profissional”, trabalho tinha o sentido abstrato de “tormento, agonia, sofrimento”, sentido este que permanece para muitas pessoas atualmente.


        Após ter recebido o novo sentido, o trabalho passou a ser exaltado por comemorações, como no dia 1 de maio, “Dia do trabalho”, ou até por frases como: “O trabalho dignifica o homem”. Mas, será mesmo que o trabalho perdeu a velha “sombra” da aflição? Como será que a sociedade lida com este exercício nos nossos dias? Será que ele é tratado de forma justa?


        Mesmo depois da abolição da escravidão no Brasil, em 1888, cidadãos ainda têm seu trabalho explorado, isto é, algumas pessoas são sujeitadas a certos tipos de empregos por não poderem obter um melhor. Um exemplo clássico são os trabalhadores rurais que, na maioria das vezes, não possuem carteira assinada e que por não terem uma formação escolar ou acadêmica ou por morarem muito longe do centro urbano terminam aceitando ganhar menos de um salário mínimo (direito de todo profissional com a carteira assinada). Assim, podemos ver que em determinados lugares os trabalhadores não são tratados com justiça, pois não recebem o salário adequado ao seu serviço, ou então, em alguns casos, embora os patrões tentem ser mais justos, estes empregados rurais não obtêm uma contribuição digna, pois recebem uma remuneração mais baixa do que o salário determinado pela Lei do TRT (Tribunal Regional do Trabalho). 


        Para alguns cidadãos, o trabalho ainda é um tormento, pois não é fonte de realização, ou seja, estes cidadãos não escolhem a profissão que revela o seu talento, o que termina gerando insatisfações pessoais, dores de cabeça, aborrecimentos, ao contrário de outras pessoas, que se realizam em sua profissão, tornando-a valorizada. A profissão não deve ser escolhida apenas pelo benefício financeiro, mas, sim, pelo benefício espiritual. Se trabalharmos naquilo que gostamos, estaremos sempre realizados, dispostos, sem dores de cabeça, caso contrário, teremos sempre o trabalho como uma “sombra” em nossas vidas, consequência das más escolhas.


        Assim sendo, se quisermos nos realizar tanto profissional como espiritualmente, devemos escolher nosso trabalho, com base no que gostamos de fazer, desconsiderando os preconceitos presentes na sociedade os quais desvalorizam as profissões sem as quais a população não vive como, por exemplo, o trabalho de um professor, de um gari, de um faxineiro, de um cozinheiro, entre outros tão descriminados. Enfim, para acabarmos de vez com o antigo conceito do termo “trabalho”, precisamos, primeiramente, extinguir todos os preconceitos para com o mesmo, pois, desta forma, ninguém terá vergonha de exercer qualquer profissão, seja esta de faxineiro, gari, professor, entre outros, da mesma maneira que nenhum cidadão envergonha-se de ser um médico, advogado ou engenheiro. (Profissões mais valorizadas socialmente)


Fonte: arquivo pessoal do elaborador

Tipologia textual refere-se à organização discursiva do texto. Sabendo disso, percebe-se que, no texto III, as tipologias predominantes na organização textual são:  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A questão não é jurídica e se resolve por teoria de tipologia textual. O texto III apresenta estrutura predominantemente dissertativa, porque expõe e desenvolve ideias sobre o tema "trabalho", e argumentativa, porque sustenta um ponto de vista com exemplos, juízos de valor e conclusão persuasiva. Por isso, a alternativa B é a única compatível com a organização textual predominante.

Tema central: Tipologia textual predominante
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Narração exige sucessão de fatos como eixo do texto, com progressão de acontecimentos; isso não ocorre aqui. Descrição exige caracterização predominante de seres, objetos ou situações; também não é o caso. O texto está estruturado em exposição de ideias e defesa de tese.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o texto não se limita a informar: ele expõe o tema "trabalho" em perspectiva geral, desenvolvendo ideias sobre origem, função social e efeitos pessoais, o que caracteriza dissertação. Além disso, o autor sustenta uma posição valorativa — o trabalho pode ser tormento ou realização conforme condições sociais e escolhas profissionais — com exemplos, avaliações e fechamento persuasivo, o que caracteriza argumentação. A combinação dessas duas tipologias é a que corresponde à organização predominante do texto.
C
Errada
Incorreta. Injunção pressupõe orientação procedimental, ordem ou instrução como forma predominante, o que não existe no texto. O trecho final com "devemos escolher" funciona como conclusão argumentativa, não como sequência instrucional. Também não há descrição predominante.
D
Errada
Incorreta. Há argumentação, mas falta o requisito da narração predominante. As referências históricas e os exemplos sociais não constituem enredo nem sequência narrativa organizada; servem apenas para sustentar a reflexão do autor.
E
Errada
Incorreta. A argumentação está presente, mas a outra tipologia principal não é descrição. As qualificações pontuais do texto não têm função de caracterização estática predominante; elas integram a exposição temática própria da dissertação.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre elementos acessórios e tipologia predominante: menção histórica e exemplos podem induzir à narração, qualificações esparsas podem induzir à descrição, e o "devemos" final pode induzir à injunção, embora tudo isso esteja subordinado a uma estrutura dissertativo-argumentativa.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro o eixo do texto: se ele desenvolve um tema em ideias gerais, há dissertação.
  • Verifique se o autor apenas expõe ou também defende uma tese com exemplos, juízos de valor e conclusão; nesse caso, há argumentação.
  • Não confunda exemplo histórico com narração predominante nem aconselhamento final com injunção principal.
  • Em tipologia textual, a classificação depende da organização predominante do texto, não de trechos isolados.

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