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Q2487274 Medicina
Um paciente de 60 anos apresenta-se com dor abdominal de localização variável, perda de peso e episódios recorrentes de diarreia sanguinolenta nos últimos seis meses. História de tabagismo e uso ocasional de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). A colonoscopia revelou presença de ulcerações longitudinais e áreas de mucosa saudável intercaladas, sem evidência de pólipos ou divertículos. Biópsias demonstraram inflamação crônica transmural. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial apropriada para este paciente?
Alternativas

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Tema central: Doença Inflamatória Intestinal (DII), diferenciando Doença de Crohn de colites não inflamatórias e de colite ulcerativa, além da conduta inicial no paciente com quadro moderado a grave.

Alternativa correta: C — Doença de Crohn; iniciar corticosteroides sistêmicos e inibidores de TNF.

Por quê? A colonoscopia mostra ulcerações longitudinais e “áreas de mucosa saudável intercaladas” (lesões em skip), e a biópsia evidencia inflamação transmural — achados clássicos de Crohn. Sintomas como dor abdominal variável, perda de peso e diarreia sanguinolenta podem ocorrer. Tabagismo é fator de risco para Crohn e AINEs podem piorar DII. Na forma moderada a grave, a conduta inicial recomendada é corticosteroide sistêmico para indução e biológico anti-TNF (ex.: infliximabe/adalimumabe) quando há maior gravidade/alto risco, visando controle rápido e redução de complicações. Diretrizes: ACG 2021, ECCO 2020, UpToDate, Harrison’s.

Condutas práticas adicionais: suspender AINEs, orientar cessação do tabagismo, avaliar estado nutricional e rastrear TB e hepatite B antes do anti-TNF.

Análise das alternativas incorretas

A) Doença diverticular; dieta rica em fibras. O quadro descrito não mostra divertículos na colonoscopia. Diverticulose costuma cursar com dor em FIE e não com inflamação transmural difusa nem lesões em skip. Fibras são para doença diverticular não complicada, inadequado aqui.

B) Colite ulcerativa; corticoide + mesalazina. UC é contínua, iniciando no reto, com inflamação mucosa (não transmural) e sem áreas de mucosa normal entre lesões. Mesalazina tem papel na UC, mas benefício limitado em Crohn. Além disso, os achados endoscópicos favorecem Crohn.

D) Colite isquêmica; cessar tabagismo + anticoagulação. Isquemia é aguda, com dor súbita e sangue, em áreas de “watershed”, endoscopia com palidez e úlceras superficiais. Anticoagulação não é tratamento padrão (exceto trombose venosa mesentérica). A biópsia “transmural crônica” não é típica.

E) Colite infecciosa; antibiótico amplo. Quadro infeccioso é mais agudo e diagnóstico é por coprocultura/PCR; colonoscopia geralmente desnecessária. Antibiótico amplo empírico é inadequado sem suspeita específica. A histologia crônica transmural e padrão em skip afastam infecção.

Dicas para a prova: associe “skip lesions”, “ulcerações longitudinais”, “transmural” e “tabagismo” a Crohn. Em UC, pense em doença contínua desde o reto e inflamação limitada à mucosa.

Referências essenciais: ACG Clinical Guideline: Management of Crohn’s Disease (2021); ECCO Guidelines (2020–2023); UpToDate (Crohn disease: clinical manifestations, diagnosis, and management); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: C

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A descrição do caso clínico sugere um diagnóstico de Doença de Crohn, que é uma condição inflamatória crônica do trato gastrointestinal e pode afetar qualquer parte do trato digestório, da boca ao ânus, em um padrão descontínuo, com áreas de mucosa saudável intercaladas—o que é conhecido como aspecto em "pedra de calçada". A presença de ulcerações longitudinais e inflamação crônica transmural observada na colonoscopia e nas biópsias é consistente com esse diagnóstico. O tabagismo é um fator de risco conhecido para a Doença de Crohn e pode agravar o curso da doença. O tratamento inicial da Doença de Crohn frequentemente inclui corticosteroides sistêmicos para controle da inflamação e inibidores do fator de necrose tumoral (TNF) para modulação imunológica e redução da resposta inflamatória. Portanto, a opção correta é a alternativa C, pois reflete tanto o diagnóstico provável quanto a conduta inicial apropriada para o paciente descrito no caso. As outras alternativas são incorretas porque não correspondem ao padrão de doença e aos achados endoscópicos e histológicos apresentados pelo paciente.

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