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Q2487268 Medicina
Em uma paciente feminina de 28 anos, previamente saudável, que se apresenta com queixa de palpitações frequentes e episódicas acompanhadas de dispneia e tontura nos últimos 6 meses, foram realizados exames complementares que evidenciaram episódios de taquicardia supraventricular no Holter 24 horas. A paciente relata histórico familiar de doença reumática cardíaca. Durante a investigação, um ecocardiograma transtorácico demonstrou uma valva mitral com leve espessamento, mas sem comprometimento funcional significativo. Não foram identificados trombos intracardíacos ou sinais de hipertensão pulmonar. Qual das seguintes abordagens terapêuticas é mais apropriada para o manejo desta paciente?
Alternativas

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Tema central: manejo de taquicardia supraventricular (TSV) em mulher jovem, sintomática, sem cardiopatia estrutural significativa ao ecocardiograma.

Alternativa correta: BManobras vagais como abordagem inicial e, se recorrente, considerar ablação por cateter.

Justificativa clínica: O Holter confirmou TSV, com sintomas (palpitações, dispneia, tontura). O eco mostra apenas leve espessamento mitral, sem repercussão funcional, nem trombos ou hipertensão pulmonar — ou seja, sem contraindicações às condutas padrão para TSV. Diretrizes atuais recomendam: 1) Interrupção aguda com manobras vagais e, em ambiente médico, adenosina para taquicardia regular de QRS estreito; 2) Para episódios recorrentes e sintomáticos, a ablação por cateter é terapia de escolha/definitiva na maioria das TSV por reentrada (AVNRT/AVRT), com altas taxas de cura e baixo risco de complicações (ESC 2019; ACC/AHA/HRS 2015; UpToDate).

Estratégia de prova: foque no problema predominante (TSV sintomática) e reconheça as “pegadinhas”: história familiar de doença reumática ≠ indicação de profilaxia; espessamento valvar discreto ≠ doença reumática significativa; ausência de FA/trombo ≠ anticoagulação.

Análise das alternativas incorretas

A) Varfarina: Anticoagulação é indicada em fibrilação atrial/flutter, trombo intracardíaco ou estenose mitral reumática com FA. Nesta paciente, há TSV, eco sem trombo e sem FA. Anticoagular traria risco sem benefício comprovado (ESC FA 2020; ACC/AHA 2019).

C) Penicilina benzatina (profilaxia secundária): É indicada apenas para quem teve febre reumática prévia ou doença reumática estabelecida. Histórico familiar isolado não é indicação. O eco não mostra comprometimento reumático significativo. (OMS/WHO; Diretrizes MS/SBC de Febre Reumática).

D) Flecainida (classe IC): Pode ser opção em TSV sem cardiopatia estrutural, porém não é primeira linha para abordagem inicial; exige cautela (risco de proarritmia, necessidade de avaliação de via acessória/QRS). Para sintomas recorrentes, a ablação é preferida por ser curativa e mais segura no longo prazo (ESC 2019; UpToDate).

E) Cirurgia valvar: Inadequada. Não há estenose/regurgitação significativa, sintomas valvares ou repercussão hemodinâmica. Cirurgia não se indica por “risco de progressão” isolado (Diretrizes valvares ESC/ACC/AHA).

Referências essenciais: ESC Guidelines for Supraventricular Tachycardia (2019); ACC/AHA/HRS Guideline for SVT (2015); UpToDate: Supraventricular tachycardia in adults; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: B

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A questão apresenta o caso de uma mulher jovem com episódios de taquicardia supraventricular, que é um tipo de arritmia cardíaca onde o coração bate mais rápido devido a circuitos elétricos anormais nas câmaras superiores do coração. O ecocardiograma mostra um leve espessamento da valva mitral sem comprometimento funcional, portanto, a valva não é a causa da taquicardia e não há indicação de cirurgia (o que elimina a alternativa E). Não há evidência de trombos ou de hipertensão pulmonar, o que torna a anticoagulação com varfarina (alternativa A) desnecessária neste momento. A presença de histórico familiar de doença reumática não justifica a profilaxia com penicilina benzatina (alternativa C), pois a paciente não tem evidências atuais da doença. A prescrição de antiarrítmicos da classe IC (alternativa D) pode ser considerada em alguns casos, porém não é a primeira linha de tratamento, principalmente sem tentativas prévias de tratamento menos invasivo. A alternativa B é a correta porque o manejo inicial para episódios de taquicardia supraventricular inclui manobras vagais, como a manobra de Valsalva, que podem interromper a taquicardia. Se os episódios forem recorrentes e perturbadores, a ablação por cateter, que é um procedimento minimamente invasivo para interromper as vias elétricas anormais no coração, pode ser considerada. Portanto, a alternativa B oferece uma abordagem progressiva e baseada nas práticas atuais para a gestão da taquicardia supraventricular.

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