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Q2487267 Medicina
Paciente do sexo masculino, 65 anos, com histórico de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica, procura o serviço de emergência com queixa de dispneia progressiva e ortopneia nas últimas 48 horas. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 88/60 mmHg, frequência cardíaca de 102 bpm, estertores pulmonares bibasais e ingurgitamento jugular. O ECG mostra elevação do segmento ST em derivações precordiais. A ecocardiografia de emergência evidencia disfunção sistólica do ventrículo esquerdo com fração de ejeção de 35% e sinais de sobrecarga ventricular direita. Com base nesse quadro, qual das seguintes abordagens é a mais adequada para o manejo inicial desse paciente?
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Tema central: A questão aborda choque cardiogênico no contexto de infarto agudo do miocárdio com supradesnível do segmento ST (IAMCSST). O reconhecimento precoce e o manejo imediato do choque são cruciais para evitar falência orgânica e óbito.

Justificativa da alternativa correta (D):

O paciente apresenta instabilidade hemodinâmica grave (hipotensão, taquicardia, congestão pulmonar, ingurgitamento jugular e fração de ejeção reduzida), evidências típicas de choque cardiogênico secundário a IAMCSST. De acordo com a IV Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia e o UpToDate, nessas situações, a imediata administração de inotrópicos positivos (ex: dobutamina) e, se não contraindicado, vasodilatadores é a estratégia inicial indicada para melhorar o débito cardíaco e restabelecer a perfusão dos órgãos vitais.

Na Tabela 33 da IV Diretriz SBC (2009): “choque cardiogênico que não reverte rapidamente com medicamentos” é indicação formal para estabilização medicamentosa e suporte avançado.

Comentário sobre as alternativas incorretas:

A) Tiazídicos não têm papel em situações de hipotensão ou choque. Podem, inclusive, agravar a hipovolemia e a instabilidade.

B) Angioplastia primária é crucial no IAMCSST, mas na emergência, o paciente deve ser primeiramente estabilizado se estiver em choque, com suporte farmacológico e medidas de salvamento. A abordagem invasiva será feita assim que possível após estabilização inicial.

C) Betabloqueadores são contraindicados em choque cardiogênico, pois podem agravar a depressão da contratilidade miocárdica.

E) O uso isolado de anticoagulantes não trata o choque. Anticoagulação pode ser necessária na presença de trombos, mas não é abordagem de estabilização inicial.

Estratégias de prova e detalhes:

Fique atento a palavras-chave como “instabilidade hemodinâmica”, “pressão arterial baixa”, “sinais de congestão” e “função ventricular deprimida”. Situações de gravidade exigem intervenção rápida para restaurar a circulação. Pegadinhas comuns envolvem ofertar tratamentos indicados em outros contextos, mas não em choque (como diuréticos, betabloqueadores ou anticoagulantes isoladamente).

Obra de referência: Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed., seção de insuficiência cardíaca aguda e choque cardiogênico.

Resumo: Em choque cardiogênico pós-IAM, a estabilização com inotrópicos e vasodilatadores é fundamental. Revascularização é essencial, mas sempre após suporte hemodinâmico inicial.

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Comentários

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A questão apresenta um paciente com sinais clínicos de choque cardiogênico devido a um provável infarto agudo do miocárdio, indicado pela elevação do segmento ST no ECG, disfunção sistólica com fração de ejeção diminuída e sinais de insuficiência cardíaca aguda. A administração de inotrópicos positivos é apropriada para melhorar a contractilidade do coração, aumentando o débito cardíaco, enquanto os vasodilatadores ajudarão a reduzir a pós-carga, facilitando o trabalho do coração e melhorando a perfusão dos órgãos vitais. Esta abordagem, representada pela alternativa D, busca estabilizar a condição hemodinâmica do paciente. As outras opções são inadequadas nesse contexto inicial: diuréticos (opção A) podem agravar a hipotensão; angioplastia (opção B) pode ser uma intervenção subsequente, mas primeiramente é necessário estabilizar o paciente; beta-bloqueadores (opção C) são contraindicados na fase aguda do choque cardiogênico devido ao risco de agravar a hipotensão e depressão miocárdica; e anticoagulantes orais (opção E) não abordam a causa imediata do choque cardiogênico e são uma terapia complementar a longo prazo para prevenção de tromboembolismo. Portanto, a alternativa D é a mais apropriada para o manejo inicial dessa emergência cardíaca.

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