Paciente de 20 anos com o seguinte relato: “Me comunicar e i...
Paciente de 20 anos com o seguinte relato: “Me comunicar e interagir com outras pessoas, desde sempre, me causa uma grande ansiedade. É como se todas estas imagens diferentes entrassem, ao mesmo tempo no meu cérebro e eu não conseguisse descodificar. Já memorizei o meu dia a dia. Tenho a mesma rotina há anos, porque me acalma saber o que vai acontecer a seguir e eu consigo antecipar e controlar minha vida. Se algo muda na minha rotina, fico muito nervoso. Quando era pequeno, sempre que havia uma mudança, eu gritava, guinchava e às vezes me tornava agressivo, até comigo mesmo. Desde que me lembro, faço movimentos repetidos intencionais, como balançar o corpo, alinhar objetos segundo um padrão de cores. Normalmente faço isso quando estou muito entusiasmado ou quando estou entediado.” O diagnóstico MAIS PROVÁVEL é:
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Tema central: A questão aborda um caso clínico típico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adulto jovem, focando nos critérios diagnósticos de sintomas persistentes desde a infância, dificuldade de interação social e presença de comportamentos repetitivos e padrões restritos.
Justificativa da alternativa correta (C):
O relato do paciente apresenta dificuldades de comunicação e interação social desde sempre, além de necessidade de rotinas rígidas, resistência a mudanças e comportamentos estereotipados (balançar o corpo, alinhar objetos por cor). Segundo o DSM-5, o diagnóstico de TEA exige:
- Déficit persistente na comunicação social em múltiplos contextos, incluindo reciprocidade socioemocional, comportamentos comunicativos não verbais e dificuldade na construção de relacionamentos.
- Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, como movimentos motores estereotipados, insistência em rotinas e interesses intensos ou restritos.
O caso se encaixa exatamente nesses critérios, consolidando o diagnóstico de TEA.
Análise das alternativas incorretas:
A) Fobia social: Apesar da ansiedade ao interagir, na fobia social não existem comportamentos repetitivos, forte apego a rotinas ou padrões restritos de interesse, nem início tão precoce. A fobia social é caracterizada mais por medo acentuado de avaliação negativa e sintomas predominantemente de ansiedade.
B) Esquizofrenia: Não há sintomas de delírios, alucinações ou desorganização do pensamento. O funcionamento social prejudicado da esquizofrenia tem início tipicamente na adolescência/adulto jovem, mas não se manifesta desde a infância com os sinais de rotina rígida e estereotipias como descrito.
D) Transtorno obsessivo compulsivo (TOC): O TOC apresenta obsessões (pensamentos intrusivos) e compulsões (rituais para aliviar ansiedade), mas sem prejuízos globais de comunicação ou interação social precoce e sem déficit cognitivo característico de TEA.
Dica de interpretação: Questões envolvendo diagnóstico diferencial exigem atenção ao tempo de surgimento dos sintomas (desde a infância sugere TEA) e à presença de estereotipias e comportamento ritualizado, ausentes nas demais alternativas.
Referência: Critérios do DSM-5, seção de Transtorno do Espectro Autista, utilizada em protocolos do Ministério da Saúde e sociedades científicas como a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).
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