“Podem falar à vontade: estou com a consciência tranquila.”...
“Podem falar à vontade: estou com a consciência tranquila.”
Mantendo-se o mesmo sentido no período acima, os dois-pontos podem ser substituídos corretamente por:
Gabarito comentado
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Tema central: Pontuação — valor semântico dos dois-pontos e sua substituição por conjunção mantendo o sentido.
Regra normativa aplicada: Segundo a gramática normativa (Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo), os dois-pontos introduzem: explicação, justificativa, esclarecimento, exemplificação ou citação. Quando o segmento posterior ao sinal apresenta justificativa/causa do que foi dito antes, é possível substituí-lo por uma conjunção explicativa (como pois ou porque), geralmente precedida de vírgula.
Estratégia para resolver:
- Identifique a relação semântica entre as duas partes: a segunda parte explica ou justifica a primeira? Se sim, pense em pois/porque.
- Teste a substituição: troque “:” por “, pois ...”. Se o sentido ficar natural (justificativa), a escolha é adequada.
- Desconfie de conectivos de conclusão (portanto), concessão (embora), finalidade (para) e alternância (ou), pois alteram o sentido.
Alternativa correta: C — “pois”
Ao substituir os dois-pontos por pois, obtemos: “..., pois estou com a consciência tranquila.” A segunda oração funciona como justificativa/explicação para permitir que “falem à vontade”. É exatamente o valor dos dois-pontos no período. Regra adicional: as conjunções coordenativas explicativas (pois, porque, que), quando unem orações, são precedidas por vírgula (Bechara; Cunha & Cintra).
Por que as demais estão incorretas?
A) “para” — Expressa finalidade (“com o objetivo de”). O trecho posterior não indica objetivo, e sim razão. Troca o sentido.
B) “ou” — Conjunção alternativa, criaria escolha/alternância entre ideias, o que não ocorre aqui. Não há opções, há explicação.
D) “embora” — Conjunção concessiva. Introduziria oposição do tipo “mesmo que...”, incoerente com a ideia de justificar a permissão.
E) “portanto” — Conjunção conclusiva. Inverteria a relação lógica: faria parecer que, porque se pode falar à vontade, conclui-se que a consciência está tranquila. No período, ocorre o contrário: a consciência tranquila é a causa/justificativa para permitir que falem.
Pegadinha clássica: o pois pode ser também conclusivo quando posposto ao verbo (“Fez-se, pois, justiça.”). Aqui, ele vem entre as orações e tem valor explicativo/causal, equivalente aos dois-pontos.
Dica para provas: quando vir dois-pontos introduzindo uma justificativa, teste rapidamente “, pois ...” ou “, porque ...”. Se o sentido se mantiver, você encontrou a substituição correta.
Gabarito: C
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Comentários
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essa é pra não zerar
Os dois-pontos introduzem uma explicação ou justificativa do que foi dito antes.
A palavra “pois” também tem esse valor de explicação ou causa, por isso pode substituí-los sem mudar o sentido.
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