Materiais físicos impulsionam
criatividade e imaginação
2. mai. 2024 | José Ruy Lozano
Chamou a atenção da imprensa, no ano passado,
o fato de que o sistema público¹ de educação da Suécia
decidiu voltar a usar livros e cadernos físicos², como
material didático obrigatório, no lugar de tablets e lap tops.
As razões apresentadas pelos suecos3 são várias, mas
passam pela aprendizagem da leitura e pela manutenção da
capacidade de concentração dos estudantes4. Em ambos
os casos, os materiais físicos apresentam resultados muito
melhores.
Os escandinavos não estão sozinhos. Já forma
uma longa fileira a lista de países desenvolvidos que _________ [vem/vêm] progressivamente abandonando
equipamentos digitais e retornando ao papel e à caneta. As
autoridades educacionais desses países baseiam-se em pesquisas científicas recorrentes, que apontam não só a
melhoria do rendimento acadêmico como também o
desenvolvimento mais adequado de habilidades motoras e
o impulso à criatividade e à imaginação, sempre mais bem
estimuladas pelo uso de materiais físicos nas escolas.
Não há que se imaginar a escola contemporânea
totalmente desconectada do mundo digital. Evidentemente,
salas de aulas com computador e conexão à internet, que
permitam a exibição de materiais visuais diversos, além de
espaços com equipamentos digitais para pesquisa online,
mostram-se indispensáveis no mundo de hoje. A tecnologia
digital, no entanto, não é fetiche ou panaceia. Ela não só não
é capaz de solucionar problemas, como, por vezes, termina
por ampliá-los.
Jonathan Haidt, professor da Universidade de
Nova York, publicou dados alarmantes em seu novo livro,
"The Anxious Generation" ("A Geração Ansiosa"), que aborda
a deterioração da saúde mental de crianças e adolescentes
a partir de 2010. Quadros de depressão, ansiedade,
automutilação e suicídio _________ [tem/têm] aumentado
dramaticamente desde então. Não à toa, é justamente a
partir de 2010 que se dá a generalização do uso das redes
sociais, notadamente o Instagram, difundindo-se entre os
mais jovens.
Ao largo das pressões negativas do mundo virtual,
que captura a atenção dos mais jovens, corrói sua
capacidade de concentração e os transforma em objetos
manipulados por algoritmos, educadores ________ [tem/têm] reiterado a necessidade da redescoberta das
relações de proximidade e do mundo físico. Nas mais
renomadas escolas do Vale do Silício, na Califórnia, onde
estudam os filhos dos executivos das grandes corporações
mundiais de tecnologia, há poucas telas de LED e muitas
ferramentas. No lugar do computador, lápis e caneta, mas
também martelo, chave de fenda, pincel. A educação "mão
na massa", com objetos e materiais físicos, predomina em
relação a dispositivos eletrônicos.
Diante da revolução representada pelo Big Data e
pelas inteligências artificiais, devemos nos manter firmes
como educadores que visam produzir conhecimento, não
apenas reproduzir o que está armazenado nas bases de
dados de governos e de empresas. Afinal, a educação não é
apenas dar acesso a informações, mas principalmente
fazer refletir e questionar a partir das informações que
acessamos.
José Ruy Lozano - Sociólogo e educador, é autor de
livros didáticos e membro da Comunidade Reinventando a
Educação (Core).
LOZANO, José Ruy. Escolas do futuro são escolas 'low
tech'. Folha de São Paulo, 02 de maio de 2024. Disponível
em:
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/05/escolasdo-futuro-sao-escolas-low-tech.shtml. Acesso em: 05 mai.
2024. Adaptado.
Qual dos verbos a seguir, extraídos do texto, pertence à
terceira conjugação?