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Q2115291 Português
O professor de língua portuguesa: modos
de ensinar e de apre(e)nder


    O tema é paradoxalmente árido e fértil: a sua aridez decorre do desgaste que a sociedade inflige ao professor com a superexposição, geralmente negativa, em todos os setores; a fertilidade vem da perseverança que os mestres realmente apaixonados pelo que fazem, conferem à sua atividade, não se desmotivando nunca, abertos à renovação, sempre prontos a considerar possibilidades que facilitem e/ou aperfeiçoem seu ofício. [...]
      Não abordaremos aqui conteúdos, porque já são exaustivamente contemplados, mas a postura, segundo nossa concepção, do professor de Língua Portuguesa. De como o percebemos. Da sua representação.
      Não há a menor dúvida de que o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa são considerados difíceis e enfadonhos. Não se trata de dourar a pílula, dizer que há fórmulas infalíveis de se chegar ao aluno, com aprovação e receptividade tais, que nos esperarão nas salas, ansiosos, motivados e prontos para aulas magníficas e inesquecíveis.
     Por uma série de circunstâncias, não existe esse contexto, pelo menos em termos tão otimistas, infelizmente, para todos nós, professores de Língua Portuguesa.
     Quando falamos a respeito de ensino, não o fazemos com distanciamento. Somos (sempre seremos), por efetiva prática, professora de Educação Infantil (antigo Primário), Fundamental e Médio, durante anos (aposentando-nos no Município com tempo integral, dando aulas), estando atualmente no Ensino Superior com docência e pesquisa.
      [...]
     Voltando à questão central, qual deve ser realmente o perfil do professor de Língua Portuguesa?
     Primeiramente conscientizar-se de que professor de Língua Portuguesa não é só ser professor de Gramática. É ser polivante. Por tal, entenda-se, relacionar-se bem com Leitura, Literatura, Filologia, Filosofia, Antropologia, Sociologia, História, Geografia porque efetivamente uma língua viva se funda em tudo isso, é denominador comum, é fator de unidade, polariza, congrega, instiga, enfim, é agente de cultura.
      [...]
     A Língua Portuguesa está presente em tudo: dentro e fora da instituição escolar. Ela é o código maior de comunicação, o mais fácil, o mais à mão. Há de ser enriquecida diuturnamente.
   Voltando para a Gramática, para não dizer que não falei de flores (gramaticais ou verbais), torna-se claro que o professor de Língua Portuguesa precisa ensinar gramática. Então, acaba o encanto da globalização linguística? Respondemos que não, porque o professor não se limitará a reproduzir “gramatiquices”, regras e exceções, conceitos passados como verdades absolutas, nomenclaturas isentas de críticas, séries de exercícios monótonos e repetitivos.
        [...]
    A figura do professor que, então, transmitirá a tal gramática é essencial, não acessória, as luzes concentrando-se nele, brilhando sempre intensamente, lembrando um farol no meio da escuridão. Antes de mais nada, não será um acomodado, abrindo a Gramática e lendo conceitos ou usando o livro didático como muleta e não complemento. [...]
     Deve ser crítico e fazer com que seus alunos (com as adequações compatíveis ao nível) exerçam o sentido da crítica, conhecendo teorias diversas, sem medo de ser avançado (ousado) demais ou tradicional (antigo, ultrapassado), lembrando-se de que como usuário da língua (para comunicar-se simplesmente ou fazer uso de sua função expressiva, estética), ele tem direitos e deveres, não sendo indiferente, alheio, neutro. [...]
    Para nós, assim deve ser o professor de Língua Portuguesa: não limitado ou escravo de livros ou teorias, mas antenado à vida, comprometido tanto com a tradição quanto com a modernidade, evoluindo sem temer o novo, fiel à sua consciência sempre e preocupado em dar e fazer o melhor.
      [...]

(PEREIRA, Maria Teresa Gonçalves. Fragmento adaptado. O professor
de língua portuguesa: modos de ensinar e de apre(e)nder.)
Em relação à acentuação gráfica das palavras e aspectos relacionados à justificativa para emprego do acento, está correta a indicação feita em: 
Alternativas

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Tema central: Ortografia e acentuação gráfica. A questão avalia a correta identificação das regras de acentuação previstas na norma-padrão, exigidas do profissional que irá lecionar Língua Portuguesa.

Justificativa da alternativa correta (B):

As palavras transmitirá, limitará, será são oxítonas (a sílaba tônica é a última: rá), terminadas em a. Segundo a regra da acentuação: acentuam-se as oxítonas terminadas em -a, -e, -o, -em, -ens. (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa). Todas as opções apresentadas enquadram-se perfeitamente nessa definição, justificando o uso do acento gráfico.

Análise das alternativas incorretas:

A) Hiatos: médio; história; gramática.
Essas palavras não recebem acento por serem hiatos. Elas são acentuadas por serem proparoxítonas (acentua-se toda palavra cuja antepenúltima sílaba é tônica), não por hiato.

C) Paroxítonas: dúvida; linguística; prática.
Essas palavras são, na verdade, proparoxítonas. Paroxítona tem a penúltima sílaba tônica, mas nestas palavras a sílaba tônica é a antepenúltima. Portanto, o critério alegado está incorreto.

D) Proparoxítonas: primário; inesquecíveis; críticas.
As três palavras são paroxítonas (tônica na penúltima sílaba), acentuadas conforme regras específicas (terminadas em ditongos ou sílabas especiais), mas NÃO são proparoxítonas. Atenção: “primário” e “críticas” têm a penúltima sílaba tônica (má, rí ; crí), logo, são paroxítonas.

Estratégia para a prova:
Em questões de acentuação, identifique a sílaba tônica e relacione a terminação da palavra à regra. Cuidado com pegadinhas conceituais, como confundir proparoxítonas/paroxítonas ou atribuir a justificativa do acento a outro fenômeno.

Resumo: A alternativa B está correta, pois fundamenta-se corretamente na regra das oxítonas. As demais apresentam equívocos de classificação ou justificativa.

Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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Comentários

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Letra: B

Letra: B

Letra: B

as oxítonas são aquelas terminadas em : A(S), E(S), O(S), EM E ENS. Ou seja, são aquelas palavras que tem a última sílaba tônica.

GABARITO B

Entenda:

  • oxítonas: a última sílaba será tônica, ou seja, "mais forte".

Ex: Pará, café.

  • paroxítona: a penúltima sílaba será a tônica.

Ex: lápis, mesa, saúde

  • proparoxítona: a antepenúltima sílaba será a mais forte.

Ex: lunática, lâmpada, árvore,

Todas as palavras da assertiva B são oxítonas.

Para facilitar o entendimento, opte por separar as sílabas antes de classificar.

IMPORTANTE: Todas as palavras proparoxítonas serão acentuadas.

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