Em “...ela está, muitas vezes, reproduzindo a violência sim...

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Q4281703 Português
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Texto 2


A figura da “Mulher-Maravilha”, imortalizada na cultura pop como um ícone de força e invencibilidade, transbordou os limites da ficção para se converter em um perigoso mito contemporâneo. Na realidade social, esse arquétipo tem sido utilizado para romantizar a exaustão feminina, validando a sobrecarga daquelas que acumulam as responsabilidades do trabalho remunerado, das tarefas domésticas e do cuidado familiar. Longe de ser um elogio, a exaltação da mulher que “dá conta de tudo” funciona como um mecanismo de dominação que invisibiliza as desigualdades estruturais de gênero e adoece física e mentalmente as mulheres.

O sociólogo Pierre Bourdieu (2012), em sua obra A dominação masculina, explica esse fenômeno através do conceito de violência simbólica. A dominação de gênero não se dá apenas pela coerção física, mas pela introjeção de disposições (o habitus) que fazem com que os próprios dominados percebam a ordem social como natural e legítima. Quando uma mulher se orgulha de ser uma “guerreira” que dorme poucas horas por noite para dar conta da casa, dos filhos e do trabalho, ela está, muitas vezes, reproduzindo a violência simbólica que a oprime.

Em suma, o mito da “Mulher-Maravilha” é uma armadilha retórica. Ao aplaudir a capacidade feminina de suportar o insuportável, a sociedade se exime da responsabilidade de promover a igualdade de gênero. Desconstruir essa romantização é o primeiro passo para reconhecer que o trabalho de cuidado é uma responsabilidade social e coletiva, e não um fardo individual travestido de superpoder. As mulheres não precisam de capas ou títulos de heroínas; precisam de políticas públicas de cuidado, de divisão equitativa do trabalho doméstico e do direito fundamental ao descanso e à saúde.


Disponível em: https://encenasaudemental.com/comportamento/insight/o-mitoda-mulher-maravilha-a-romantizacao-da-tripla-jornada/. Acesso em: 10 maio 2026. [Adaptado].
Em “...ela está, muitas vezes, reproduzindo a violência simbólica que a oprime”, a colocação do pronome oblíquo “a”, segundo a Gramática Normativa, é um caso de 
Alternativas

Comentários

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Por que a próclise é obrigatória?

Porque existe uma palavra atrativa antes do pronome: o “que”, que é um pronome relativo.

Regra: pronomes relativos, como que, quem, onde, o qual, entre outros, atraem o pronome oblíquo, tornando obrigatória a próclise.

Assim:

* ❌ que oprime-a — inadequado na norma-padrão nesse contexto.

* ✅ que a oprime — próclise obrigatória.

Para memorizar para prova

QUE → ATRAI → PRÓCLISE

GAB: A

Próclise (pronome antes do verbo):

 Usada com:

Sujeito Explícito = Colocação Facultativa (sem atração).

 Havendo sujeito reto/substantivo antes do verbo, você pode usar próclise ou ênclise ("A jornalista se manteve" ou "A jornalista manteve-se").

Palavras negativas (não, nunca, jamais, etc.)

Advérbios (bem, mal, aqui, sempre, hoje, etc.) sem pausa

Pronomes relativos (que, quem, qual, cujo, etc.)

Pronomes indefinidos (alguém, ninguém, tudo, etc.)

Pronomes demonstrativos (este, esse, aquele, etc.)

Conjunções subordinativas (que, se, quando, porque, etc.)

Em frases interrogativas, exclamativas e optativas (que expressam desejo).

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A alternativa correta é a A: próclise obrigatória.

Justificativa

No trecho "...que a oprime", a colocação do pronome oblíquo antes do verbo (próclise) é obrigatória devido à presença da palavra "que".

  • Palavra atrativa: O "que", neste caso, funciona como um pronome relativo (introduzindo uma oração subordinada adjetiva).
  • Regra geral: De acordo com a Gramática Normativa, os pronomes relativos são palavras atrativas que exigem, obrigatoriamente, a posição proclítica do pronome oblíquo átono.

Dica: NARISD (palavras atrativas, as quais exigem próclise)

N – negativas (não, nunca, jamais etc)

A – advérbios (sempre, talvez, somente etc)

R – relativos (pronomes relativos – Todos)

I – indefinidos e interrogativos (algum, todos, por que etc)

S – subordinativas (conjunções e locuções – que, embora, já que etc)

D – demonstrativos (pronomes – este, aquele, isso etc)

Obs: conjunções alternativas também são fator de próclise.

Aqui está a lista completa dos principais casos e estruturas que exigem a próclise obrigatória segundo a Gramática Normativa. Elas funcionam como "ímãs" que atraem o pronome para antes do verbo:

1. Palavras Negativas

Palavras que expressam negação atraem o pronome de forma imediata.

  • Exemplos de termos: Não, nunca, jamais, nada, ninguém, nem, sequer.
  • Exemplo prático: Não me falaram a verdade.

2. Advérbios

Qualquer advérbio (de tempo, modo, lugar, intensidade, etc.) atrai o pronome, desde que não haja vírgula depois dele. Se houver vírgula, o advérbio fica isolado e a próclise deixa de ser obrigatória.

  • Exemplos de termos: Ontem, hoje, aqui, sempre, talvez, muito, bem.
  • Exemplo prático: Ontem te vi no mercado. (Se fosse "Ontem, vi-te...", com vírgula, seria ênclise).

3. Pronomes Relativos

Palavras que introduzem orações subordinadas adjetivas e se referem a um termo anterior.

  • Exemplos de termos: Que, quem, cujo(a), onde, o qual, a qual.
  • Exemplo prático: Esta é a pessoa que me ajudou.

4. Conjunções Subordinativas

Conjunções que introduzem orações subordinadas (causais, temporais, integrantes, condicionais, concessivas, etc.).

  • Exemplos de termos: Que, se, caso, quando, embora, porque, como, conforme.
  • Exemplo prático: Embora se esforçasse, não conseguiu vencer.

5. Pronomes Indefinitivos

Pronomes que se referem à terceira pessoa de modo vago ou indeterminado.

  • Exemplos de termos: Tudo, algo, alguém, ninguém, outrem, cada, todos.
  • Exemplo prático: Tudo se resolveu rapidamente.

6. Pronomes Demonstrativos

Pronomes que indicam a posição de algo em relação às pessoas do discurso.

  • Exemplos de termos: Isto, isso, aquilo, este, esse, aquele.
  • Exemplo prático: Isso me confunde bastante.

7. Frases Interrogativas, Exclamativas ou Optativas

A estrutura e a entonação da frase inteira também podem exigir a próclise.

  • Interrogativas (diretas ou indiretas): Quem te contou isso? / Quero saber como o encontraram.
  • Exclamativas: Quanto nos custou essa decisão!
  • Optativas (exprimem desejo): Deus te abençoe! / Bons ventos o levem!

8. Estrutura "Em + Gerúndio"

Sempre que houver a preposição "em" seguida de um verbo no gerúndio.

  • Exemplo prático: Em se tratando de finanças, ele é um especialista.

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