Homem de 68 anos, portador de cardiopatia hipertensiva e ar...
Assinale a alternativa correta com relação a esse quadro clínico.
Gabarito comentado
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Tema central: Tireotoxicose induzida por amiodarona (TIA) – Diferenças clínicas e condutas
Comentário:
O caso apresentado descreve um paciente idoso, sem história prévia de doença tireoidiana, em uso crônico de amiodarona (antiarrítmico frequentemente associado a disfunções tireoidianas). Encontramos T4 Livre elevado, TSH suprimido e captação de iodo radioativo baixa, além de exames de anticorpos negativos e ausência de bócio — dados clássicos de TIA tipo 2.
Justificativa da alternativa correta (B):
A TIA tipo 2 trata-se de uma tireoidite destrutiva provocada por efeito tóxico da amiodarona, que leva à liberação de hormônios pré-formados, e não à síntese aumentada. O achado ultrassonográfico fundamental é fluxo vascular intratireoidiano diminuído ao doppler, refletindo a destruição do tecido tireoidiano. Essa informação está em total consonância com o Consenso Brasileiro para o Diagnóstico e Tratamento do Hipertireoidismo (SBEM, 2021): “A TIA tipo 2 é uma tireoidite destrutiva… apresenta fluxo vascular intratireoidiano diminuído na ultrassonografia com Doppler.” Além disso, a captação de iodo radioativo baixa reforça este diagnóstico.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta – Afirma aumento na produção hormonal, mas a TIA2 é liberação de hormônio pré-formado (tireoidite), não síntese aumentada.
C) Incorreta – Metimazol é usado na TIA tipo 1. O tratamento inicial da TIA tipo 2 é com corticoides (ex: prednisona), pois bloqueiam processo inflamatório/destrutivo e não a síntese.
D) Incorreta – A ablação com iodo radioativo não é recomendada para TIA2, já que a glândula está destruída, dificultando captação.
E) Incorreta – Tireoidectomia total é excepcional em TIA, reservada para casos refratários, geralmente com contraindicações ou falha ao tratamento clínico.
Dicas para prova: Sempre relacione: ausência de bócio + anticorpos negativos + baixa captação de iodo em usuário de amiodarona à TIA2. Atenção às palavras-chave: “destruição”, “fluxo diminuído no Doppler”, “glicocorticoides” são pistas valiosas para evitar pegadinhas entre TIA1 e TIA2.
Referências: SBEM, UpToDate, Harrison’s Principles of Internal Medicine.
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