A trajetória do pensamento geográfico revela mudanças não a...
I.A Geografia Tradicional, marcada pelo determinismo e possibilismo, estruturava-se em torno da descrição de paisagens e do inventário de recursos naturais, muitas vezes em apoio a projetos de colonização e expansão territorial.
II.A Geografia Quantitativa representou um avanço metodológico ao incorporar estatística, modelagem espacial e teorias locacionais, mas foi criticada por reduzir a dimensão social a padrões numéricos abstratos.
III.A Geografia Crítica, influenciada pelo marxismo, deslocou o foco da análise da paisagem para o espaço socialmente produzido, interpretando-o como expressão das contradições de classe e das lógicas do capital.
IV.As abordagens humanistas e culturais, ao ganharem força no final do século XX, introduziram novos objetos de estudo, como o imaginário, as representações e a experiência subjetiva dos lugares, sem, contudo, romper totalmente com os debates críticos anteriores.
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Alternativa correta: D - I, II, III e IV
Tema central: a questão avalia a evolução da História da Geografia — mudanças de método e de concepção de espaço/sociedade ao longo do século XX. Para responder é preciso reconhecer características essenciais das principais correntes: Geografia tradicional, quantitativa, crítica e cultural/humanista.
Resumo teórico e justificativa das afirmativas
I — Correta. A Geografia tradicional (século XIX e início do XX) focava na descrição das paisagens, inventário de recursos e frequentemente legitimava projetos de colonização/expansão. Autores clássicos e práticas escolares daquela época enfatizavam observação e classificação (ver Hartshorne; Vidal de la Blache).
II — Correta. A Revolução Quantitativa (décadas de 1950–1970) introduziu estatística, modelos espaciais e teorias locacionais, buscando leis e regularidades; contudo recebeu críticas por abstrair aspectos sociais e culturais em modelos numéricos (ver Webster; Clarke; crítica pós-quantitativa).
III — Correta. A Geografia Crítica, influenciada pelo marxismo e por autores como David Harvey e Milton Santos, deslocou o foco para o espaço socialmente produzido, evidenciando contradições de classe e dinâmicas capitalistas.
IV — Correta. As abordagens humanistas e culturais (final do séc. XX) introduziram temas como representação, imagens, imaginários e experiência subjetiva dos lugares, sem anular completamente os debates críticos — houve diálogo e sobreposição com perspectivas marxistas e estruturais.
Fontes recomendadas: David Harvey (1973, 1982), Milton Santos (1996), Vidal de la Blache (possibilismo), Brian J. L. Berry e a literatura sobre Geografia Quantitativa; manuais e compêndios de História da Geografia (ex.: Castree et al., 2013).
Análise das alternativas incorretas
A — Incorreta porque afirma apenas II e IV, omitindo I e III, que também estão corretas.
B — Incorreta porque inclui I, III e IV, mas exclui II; contudo a afirmação II também é verdadeira.
C — Incorreta porque aceita somente I e III, deixando de reconhecer a validade das contribuições quantitativas (II) e das abordagens culturais/humanistas (IV).
Estratégia de prova: identifique palavras-chave em cada item (ex.: “descrição de paisagens” → Geografia tradicional; “estatística/modelagem” → quantitativa; “socialmente produzido” → crítica; “imaginário/representações” → cultural). Compare com características históricas conhecidas e elimine alternativas que omitirem correntes comprovadamente corretas.
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Analisemos cada afirmativa:
I. Correta.
A Geografia Tradicional (século XIX e início do XX) foi marcada pelas correntes do Determinismo Ambiental (que via o meio físico como determinante da vida humana) e o Possibilismo (que via a natureza como limitadora, mas oferecedora de possibilidades). Seu método era predominantemente descritivo (corografia) e de inventário (recursos naturais e paisagens). Historicamente, essa geografia foi usada para apoiar projetos coloniais e de organização do território (colonização e expansão territorial).
II. Correta.
A Geografia Quantitativa (ou Nova Geografia, anos 1950-1960) buscou a cientificidade através da adoção do Positivismo e do uso de métodos estatísticos, modelagem matemática e teorias locacionais (ex: Teoria dos Lugares Centrais). O objetivo era encontrar leis gerais de organização espacial. Foi criticada por excessivamente focar na dimensão espacial e reduzir a dimensão social a variáveis e padrões abstratos, ignorando o contexto histórico e as relações de poder.
III. Correta.
A Geografia Crítica (ou Radical, a partir dos anos 1970), influenciada pelo marxismo, reagiu à abstração da Geografia Quantitativa. Ela deslocou o foco da descrição da paisagem para a análise do espaço como produto social, compreendendo-o como resultado de relações de produção, conflitos de classe e das lógicas de acumulação do capital e suas contradições (desigualdade, segregação).
IV. Correta.
As abordagens humanistas e culturais (desenvolvidas com força no final do século XX e início do XXI) trouxeram o foco para a subjetividade. Introduziram objetos de estudo como o imaginário, as representações, a experiência subjetiva e o sentido dos lugares (e não apenas o espaço abstrato). Essas abordagens, embora distintas da Crítica, não a anularam, pois frequentemente dialogam ou se articulam com os debates sobre poder e desigualdade (Geografia Cultural Crítica).
Todas as afirmativas descrevem corretamente as principais correntes e seus focos de análise no desenvolvimento do pensamento geográfico.
Alternativa Correta: D
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