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Q2748645 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questões de 01 a 08.


Texto I - Desperdício de Água


Hoje, no Dia Mundial da Água, os brasileiros precisam refletir sobre uma triste realidade: o desperdício de água potável em todos os setores, desde as empresas de saneamento até o cotidiano das famílias e das indústrias. O número é alarmante, mas 35,7% de toda água tratada se perdem em virtude de vazamentos, ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo. A pesquisa “Perdas de Água: Entraves ao Avanço do Saneamento Básico e Riscos de Agravamento à Escassez Hídrica no Brasil”, realizada pelo Instituto Trata Brasil, aponta que a simples economia de 10% da água perdida geraria uma receita extra anual de R$ 1,3 bilhão, valor equivalente a 42% do investimento realizado em abastecimento de água em todo o Brasil em 2010.

O mapa do desperdício revela que na Região Norte 51,55% de toda água tratada acaba se perdendo, enquanto na Região Nordeste o índice fica em 44,93%, na Região Centro-Oeste está em 32,59% e no Sudeste é de 35,19%. O menor desperdício está na Região Sul, com 32,29% de toda água tratada se perdendo. O fato é que o planeta não tem muito o que comemorar no Dia Mundial da Água, data criada em 1993, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), como forma de dar vida à proposta apresentada um ano antes, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que aconteceu no Rio de Janeiro e culminou com a elaboração da Agenda 21.

Lamentavelmente, desde o dia 22 de março de 1993, pouca coisa tem mudado em relação ao desperdício de água no planeta e, mais grave, os governantes têm feito muito pouco para preservar os mananciais hídricos, tanto que até mesmo em regiões bem abastecidas já começam a ocorrer ações de racionamento em virtude do uso indevido da água potável. A iniciativa da ONU é louvável, mas não gera resultados práticos por falta de vontade e, sobretudo, de comprometimento governamental com as políticas públicas de preservação das riquezas naturais.


(Em: <http://www.progresso.com.br/editorial/desperdicio-de-agua-21-03-2013-17, com adaptações.> Acesso em: 14/05/13.)

Acerca da linguagem empregada no texto, marque a alternativa correta.

Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A questão pede a linguagem empregada no texto, e a base decisiva é a presença frequente de expressões avaliativas e figuradas, como “triste realidade”, “O número é alarmante”, “O mapa do desperdício revela”, “o planeta não tem muito o que comemorar”, “dar vida à proposta”, “Lamentavelmente” e “A iniciativa da ONU é louvável”. Esse conjunto afasta a leitura de texto estritamente neutro e sustenta a alternativa A.

Tema central: conotação no editorial
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A se sustenta porque o texto não se limita a expor dados sobre desperdício de água; ele os organiza com juízos de valor e expressões figuradas. As marcas “triste realidade”, “O número é alarmante”, “Lamentavelmente” e “A iniciativa da ONU é louvável” são avaliativas, enquanto “o planeta não tem muito o que comemorar” e “dar vida à proposta” ultrapassam o sentido estritamente literal. Como essas ocorrências aparecem de modo reiterado, a base permite afirmar que são frequentes as sequências de linguagem conotativa.
B
Errada
A alternativa erra ao afirmar predominância da função referencial. O texto realmente traz percentuais, pesquisa e informações históricas, mas esses dados aparecem acompanhados de crítica e avaliação, o que afasta neutralidade plena. Pela base, há traços referenciais, mas eles não autorizam tomar a função referencial como predominante.
C
Errada
A coexistência de elementos denotativos e conotativos até pode ser percebida, mas essa formulação não corresponde ao critério decisivo adotado pela base. O gabarito oficial privilegia a frequência da conotação como traço mais saliente. Por isso, C perde precisão diante de A: formula coexistência genérica, sem captar o aspecto que decide a questão.
D
Errada
A alternativa é eliminada por um dado textual objetivo: não há 1ª pessoa do singular. Não aparecem formas como “eu”, “me”, “minha” nem verbos nessa pessoa. Assim, o exemplo usado para comprovar função emotiva é inexistente no texto, o que torna a alternativa falsa.
E
Errada
Não há função metalinguística predominante, porque o texto não fala da própria linguagem nem toma o código linguístico como assunto. O objeto do discurso é o desperdício de água e a atuação governamental. Portanto, a alternativa atribui ao texto uma função que a base expressamente afasta.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre texto com dados estatísticos e texto neutro. Como há números e informações factuais, B e C parecem atraentes; porém a base mostra que o decisivo é a recorrência de passagens avaliativas e figuradas, não a simples presença de informação objetiva.
Dica para questões semelhantes
  • Observe se o texto apenas informa ou se qualifica os fatos com expressões avaliativas como “alarmante”, “lamentavelmente” e “louvável”.
  • Não conclua função referencial predominante só porque o texto traz números, datas ou percentuais; verifique se esses dados vêm acompanhados de crítica.
  • Se uma alternativa der exemplo concreto, confira literalmente no texto; aqui, a 1ª pessoa do singular não aparece.
  • Quando duas alternativas parecerem plausíveis, escolha a que nomeia o traço mais recorrente e mais ajustado ao comando da questão.

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