No trecho Fulano foi dormir e acordou morto, era a macabra p...

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Q2041120 Português

O inimigo em nós

        Num curso sobre doenças crônicas, o professor nos fez uma pergunta perturbadora, mas muito pertinente: de que enfermidade vocês prefeririam morrer? A maioria optou por enfarte do miocárdio. A pergunta seguinte, que doença vocês prefeririam não ter, igualmente recebeu uma resposta quase unânime: câncer.

        Não é difícil entender as razões de tais escolhas. Doenças cardiovasculares são a principal causa de óbito entre nós, mas têm um aspecto misericordioso: frequentemente são rápidas e indolores. Fulano foi dormir e acordou morto, era a macabra piada que usávamos na Faculdade de Medicina. O câncer é diferente. O câncer é lento. Ele é – como os espiões – insidioso. E, finalmente, ele é desmoralizante. O estado geral decai, o emagrecimento é evidente. Os efeitos da quimioterapia não contribuem para melhorar esse quadro.

       No passado, o papel desempenhado pelo câncer correspondia às doenças transmissíveis especialmente a tuberculose, como nota a escritora Susan Sontag num livro que ficou famoso, A doença como Metáfora. A pessoa igualmente definhava, e a morte era quase certa. Mas a tuberculose, paradoxalmente, não desmoralizava o paciente. Doença febril, acompanhava-se de uma espécie de exaltação orgânica e emocional, inclusive com aumento da libido. A pessoa viveria pouco, mas viveria intensamente, como a Dama das Camélias.
    [...]


(SCLIAR, Moacyr. A face oculta – inusitadas e reveladoras histórias da medicina. Porto Alegre: Artes e ofícios, 2010.)
No trecho Fulano foi dormir e acordou morto, era a macabra piada que usávamos na Faculdade de Medicina., a relação entre acordar e estar morto constitui uma incoerência. Assinale a afirmativa que NÃO apresenta qualquer tipo de incoerência ou ambiguidade.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão trata de coerência, clareza textual e concordância verbal, exigindo do candidato identificar sentenças livres de ambiguidades e desvios da norma-padrão, especialmente envolvendo o emprego dos verbos haver (impessoal) e existir (pessoal), além do uso adequado de pronomes e expressões de quantidade.

Alternativa correta: B

"Existem, para os auditores, motivos suficientes para não aprovarem o planejamento estratégico daquela entidade."

O verbo existir deve ser flexionado conforme o sujeito: motivos suficientes (plural). Assim, Existem... está correto (concordância verbal conforme Bechara, Moderna Gramática Portuguesa). Toda a frase é clara, sem ambiguidade ou incoerência semântica ou gramatical.

Análise das alternativas incorretas:

A) "haviam muitas pessoas" – Erro de concordância! O correto é "havia muitas pessoas", pois, quando haver tem significado de existir, é impessoal, sempre no singular (Cunha & Cintra). Além disso, a oração relativa referente ao aeroporto está truncada, causando imprecisão.

C) "90% deles são nascidos em Porto Príncipe" – Ambiguidade! O termo "deles" pode referir-se à maioria dos ricos ou ao total de ricos, gerando dúvida. Isso compromete a clareza da ideia.

D) "o político informou que a sua posição está completamente equivocada." – Ambiguidade! O pronome possessivo sua pode se referir tanto ao político quanto ao presidente da mesa, o que dificulta a interpretação inequívoca.

Estratégias para concursos:

  • Atente-se à concordância dos verbos "haver" (impessoal – singular, quando significa "existir") e "existir" (pessoal – concorda com o sujeito).
  • Desconfie sempre de frases com pronomes possessivos ou expressões percentuais que possam causar ambiguidade.
  • Priorize sempre frases diretas, com sujeito e predicado claramente definidos.

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Comentários

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a) Quando chegamos ao aeroporto, que o teto havia desabado alguns dias antes, haviam muitas pessoas lá. Elas portavam cartazes e solicitavam consertos imediatos. HAVIA (sentido de existir, não conjuga)

b) GABARITO

c) Todos sabem que, no Haiti, a maioria dos ricos é estrangeira e 90% deles são nascidos em Porto Príncipe, a capital desse país. (esse em especifico fiquei com duvida se seria ambiguidade ou uso indevido da virgula)

d) Depois da discussão com o presidente da mesa, o político informou que a sua posição está completamente equivocada. AMBIGUIDADE

resolvi dessa forma, indo pela mais correta. Quem tiver uma explicação melhor, deixe aqui, pois também me gerou duvidas.

A) o certo é HAVIA

B) Correto

C) Existe ambiguidade. Não da pra saber quem são os 90%, os ricos ou estrangeiros

D) Existe ambiguidade. Não da pra saber quem está equivocado, o presidente ou o político

Pessoal, evidente o erro no verbo haver (impessoal), mas a questão exigia do candidato identificar contradição ou ambiguidade.

A alternativa "A" é contraditória ao afirmar que o teto desabou há dias e as pessoas estavam exigindo conserto imediato. Se o teto desabou faz certo tempo, o conserto não será mais imediato.

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