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Q3415113 Medicina
Durante consulta de puericultura, o médico avalia um recém-nascido de 1 mês em que a mãe se queixa de lacrimejamento em ambos os olhos desde o nascimento. Após a alta hospitalar com diagnóstico inicial de conjuntivite química, o quadro não melhora. No exame físico, o médico observa aumento bilateral do diâmetro corneano, com dificuldade em distinguir os detalhes da íris e pupila. Diante desse quadro, qual é o diagnóstico mais provável? 
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Gabarito comentado

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Tema central: epífora persistente no lactente com aumento do diâmetro corneano e opacificação corneana → pensar em glaucoma congênito.

Alternativa correta: D – Glaucoma congênito

O quadro clássico envolve a tríade: lacrimejamento (epífora), fotofobia e blefarospasmo, além de buphthalmos (globo ocular aumentado) por hipertensão intraocular (HIO) em córnea e esclera ainda distensíveis. O achado descrito de aumento do diâmetro corneano e “dificuldade de ver íris e pupila” sugere edema/opacificação corneana, compatível com HIO. Em 1 mês, diâmetro corneano >11–12 mm é anormal. Muitas vezes há estrias de Haab e escavação do nervo óptico. A “conjuntivite química” não explicaria persistência por semanas com aumento corneano.

Exames que confirmam: tonometria (HIO), medida do diâmetro corneano, biomicroscopia (estrias de Haab/edema), avaliação do nervo óptico; muitas vezes sob anestesia. Conduta: cirúrgica e precocegoniotomia ou trabeculotomia são de escolha; colírios hipotensores apenas como ponte (beta-bloqueador, inibidor da anidrase carbônica). Referências: AAO/AAPOS, UpToDate, e orientações da SBP/SBO recomendam encaminhamento urgente para cirurgia para prevenir ambliopia e dano irreversível.

Por que as outras estão incorretas?

A) Gonococo: conjuntivite hiperaguda 2–5 dias de vida com secreção purulenta intensa, edema palpebral e risco de úlcera/perfuração, mas não causa aumento do diâmetro corneano. Exige ceftriaxona sistêmica (CDC/OMS), quadro não compatível.

B) Retinoblastoma: típico com leucocoria e estrabismo. Não explica epífora + córnea aumentada/opaca.

C) Clamídia: 5–14 dias de vida, conjuntivite mucopurulenta; pode haver pseudomembranas, mas raro comprometimento corneano e sem buphthalmos. Tratamento é macrolídeo sistêmico (AAP/CDC), não se aplica ao caso.

E) Dacriocistite/obstrução do ducto: causa epífora e secreção recorrente, com refluxo à pressão sobre o saco lacrimal; c��rnea e diâmetro corneano são normais. Aqui há córnea aumentada/opaca, incompatível.

Dica de prova (pegadinha): epífora no RN é comum na obstrução do ducto, mas qualquer alteração corneana (aumento, edema, opacidade) ou fotofobia deve acender o alerta para glaucoma congênito e indicar encaminhamento urgente.

Referências essenciais: AAO/AAPOS – Primary Congenital Glaucoma; UpToDate – Primary congenital glaucoma; SBP/SBO – Recomendações em oftalmopediatria.

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