A frase Nada fazia para concretizar tais sonhos, mas tampouc...

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Q3509210 Português
Instrução: Leia atentamente o texto e responda à questão.


O caminho das pedras


    Era um rapaz quieto, de poucos amigos. Gostava de pescar, mas sempre sozinho. Sonhador, também era. Acalentava sonhos elaborados, que sabia quase impossíveis. Sonhos de um dia ser um grande artista, um pintor, talvez, ou um músico. Quem sabe um maestro. Nada fazia para concretizar tais sonhos, mas tampouco sofria. Talvez se convencesse de que sonhar é melhor do que viver.

    Talvez, pela mesma razão, gostasse tanto de pescar. Alguém já disse que pescar é um esporte que consiste de uma vara, com um peixe numa ponta e um idiota na outra. Mas o rapaz achava isso uma injustiça. A pescaria, principalmente se solitária, é um momento em que o pescador se vê propenso às mais profundas reflexões. É um ato de inteligência.

     E foi pensando assim que, naquele fim de tarde, pegou seus apetrechos - a maleta de duas cores, cheia de faquinhas, chumbadas, anzóis e mais a vara de pesca – e tomou o caminho do mirante, beirando os costões de pedra. Caminhou pela amurada estreita, de pedras sobrepostas, vendo o brilho do mar lá embaixo, de um verde escuro, denso, tão diverso do verde aguado do capinzal que se estendia pela encosta. O sol de verão já ia baixo no horizonte, na certa uma bola vermelha, mas dali de onde estava não podia vê-lo, as montanhas impediam. Via apenas o avermelhado do céu no ponto em que este se juntava ao mar.


(SEIXAS, H. O amigo do vento. Crônicas. São Paulo: Moderna, 2015.)
A frase Nada fazia para concretizar tais sonhos, mas tampouco sofria. permite afirmar que
Alternativas

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Tema central: A questão trabalha interpretação de texto, com foco na análise semântica do advérbio “tampouco”. Compreender o sentido do termo e suas implicações no contexto é fundamental para resolver a questão.

Explicando a frase:
A frase do texto diz: “Nada fazia para concretizar tais sonhos, mas tampouco sofria.”
O advérbio “tampouco” significa “também não” ou “nem”. Ou seja, além de não agir para realizar seus sonhos, o rapaz também não sofria por isso.

Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra, advérbios como “tampouco” servem para reforçar a negação de uma ideia já negativa (Nova Gramática do Português Contemporâneo).

Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa D – “o rapaz não se deixava sofrer por não lutar pela realização de seus sonhos” – corresponde exatamente ao sentido do trecho. O texto deixa claro que, mesmo não agindo para realizar os sonhos, ele não sofria com isso.

Análise das alternativas incorretas:

A) “O sofrimento do rapaz consistia no fato de ele não realizar seus sonhos.”
Errada: O texto afirma que ele não sofria. Esta alternativa contradiz a informação textual.

B) “Os sonhos que o rapaz não realizava faziam com que ele sofresse muito.”
Errada: O texto mostra justamente o contrário: ele não sofria pela falta de realização dos sonhos.

C) “O rapaz, na luta para realizar seus sonhos, não se deixava sofrer.”
Errada: Não há luta para realizar seus sonhos. O texto afirma que ele nada fazia para concretizá-los.

Dica de interpretação:
Leia atentamente expressões negativas e advérbios, como “tampouco”, que reforçam ou expandem a ideia da negação anterior. Questões assim frequentemente testam o entendimento desse reforço.

Resumo: O adjetivo “tampouco” é fundamental para indicar a dupla negação: não agir e não sofrer por não agir. A alternativa D expressa exatamente esta relação, por isso é a correta.

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