A diminuição de libido iniciada logo após o uso de antipsicó...
A diminuição de libido iniciada logo após o uso de antipsicótico em um paciente masculino é um efeito colateral que está associado ao/à:
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: efeitos endócrinos dos antipsicóticos, especialmente a hiperprolactinemia por bloqueio dopaminérgico na via túbero-infundibular, levando a queda de libido.
Alternativa correta: C — aumento de prolactina. Antipsicóticos que bloqueiam receptores D2 no eixo hipotálamo-hipófise retiram a inibição tônica da dopamina sobre os lactotrofos, resultando em elevação da prolactina. A hiperprolactinemia suprime o GnRH, reduzindo LH/FSH e, secundariamente, a testosterona, o que explica diminuição da libido, disfunção erétil, ginecomastia e galactorreia. O início pode ser logo após a introdução da medicação, especialmente com risperidona/paliperidona e antipsicóticos típicos (p. ex., haloperidol). Referências: UpToDate (Antipsychotic-induced hyperprolactinemia), Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Por que as demais estão incorretas?
A) Diminuição de testosterona: pode ocorrer, mas é efeito secundário à hiperprolactinemia. O evento primário associado ao antipsicótico é o aumento de prolactina. Em prova, foque na alteração causal inicial.
B) Aumento de LH: o oposto do esperado. Prolactina alta inibe GnRH, levando a queda de LH. Portanto, não justifica a queda de libido nesse contexto.
D) Diminuição do FSH: também pode cair secundariamente, mas não é o efeito colateral típico diretamente associado ao uso de antipsicótico; é consequência do aumento de prolactina.
E) Aumento da creatinina: não há relação direta com antipsicóticos e queda de libido. Distúrbios renais não explicam o quadro temporal “logo após” iniciar antipsicótico. Confunde-se com aumento de CK em síndromes raras (p.ex., síndrome neuroléptica maligna), não pertinente aqui.
Estratégia de prova: Identifique a relação temporal “logo após iniciar antipsicótico” + sintomas sexuais → pense em hiperprolactinemia. Lembre as vias dopaminérgicas: mesolímbica (efeito antipsicótico), nigroestriatal (efeitos extrapiramidais) e túbero-infundibular (↑ prolactina).
Aplicação prática (conduta resumida): Dosar prolactina sérica; avaliar sintomas. Considerar troca para antipsicótico “poupador de prolactina” (p.ex., quetiapina, clozapina) ou aripiprazol (agonista parcial D2) como estratégia de redução de prolactina, conforme diretrizes e avaliação psiquiátrica. Ver: UpToDate; Diretrizes APA.
Referências: UpToDate: Antipsychotic-induced hyperprolactinemia; Harrison’s Principles of Internal Medicine; Diretrizes APA para tratamento de esquizofrenia.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo