TEXTO: O parto do livro digital“A canibalização do livro em ...

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Ano: 2010 Banca: CONSULPLAN Órgão: Prefeitura de Guaxupé - MG
Q1197637 Português
TEXTO: O parto do livro digital
A canibalização do livro em papel dá calafrios nas editoras, embora as gravadoras tenham sido salvas pela venda digital.”
“Não há razão alguma para uma pessoa possuir um computador em sua casa.” Isso foi dito, em 1977, por K. Olsen, fundador da Digital. De fato, os computadores eram apenas máquinas de fazer contas, pesadas e caras. Mas, com os avanços, passaram também a guardar palavras. Aparece então a era dos bancos de dados. Tal como a enciclopédia de Diderot – que se propunha a armazenar todos os conhecimentos da humanidade –, tudo iria para as suas memórias. Mas não deu certo, pois a ambição era incompatível com a tecnologia da época.
Os primeiros processadores de texto foram recebidos com nariz torcido pelos programadores. Um engenho tão nobre e poderoso, fingindo ser uma reles máquina de escrever? Não obstante, afora os usos comerciais e científicos, o PC virou máquina de guardar, arrumar e recuperar textos, pois lidamos mais com palavras do que com números. Como a tecnologia não parou de avançar, acelerou a migração de dados para as suas entranhas. Por que não os livros? O cerco foi se apertando, pois quase tudo já é digital.
Para os livreiros, cruz-credo!, uma assombração. Guardaram na gaveta os projetos de livros digitais. Mesmo perdendo rios de dinheiro em fotocópias não autorizadas, a retranca persistiu. Havia lógica. Quem tinha dinheiro para ter computador preferia comprar o livro. Quem não tinha dinheiro para livro tampouco o tinha para computador. Mas o mundo não parou. Hoje os computadores são mais baratos é há mais universitários de poucas rendas. O enredo se parece com o das gravadoras de música, invadidas pela pirataria, mas salvas pelos 10 bilhões de músicas vendidas pela Apple Store. Nos livros, a pirataria também é fácil. Por 10 dólares se escaneia um livro na China, e é incontrolável a venda de cópias digitais piratas, já instalada confortavelmente na Rússia.
Nesse panorama lúgubre para os donos de editora, entram em cena dois gigantes com vasta experiência em vender pela internet. A Amazon lança o Kindle (que permite ler no claro, mas não no escuro), oferecendo por 10 dólares qualquer um dos seus 500.000 títulos digitais e mais 1,8 milhão de graça (de domínio público). Metade das suas vendas já é na versão digital. A Apple lançou o iPad (que faz mais gracinhas e permite ler no escuro, mas não no claro), vendendo 1 milhão de unidades no primeiro mês do lançamento. Outros leitores já estão no mercado. É questão de tempo para pipocarem nos camelôs as cópias chinesas. E, já sabemos, os modelos caboclos estão por aparecer. Quem já está usando – com o aval dos oftalmologistas – garante que não é sacrifício ler um livro nessas engenhocas. As tripas do Kindle engolem mais de 1.000, substituindo vários caixotes de livros.
Nesse cenário ainda indefinido, desponta uma circunstância imprevista. Com a crise, os estados americanos estão mal de finanças e a Califórnia quebrada, levando a tenebrosos cortes orçamentários. Para quem gasta 600 dólares anuais (por aluno) em livros didáticos, migrar para o livro digital é uma decisão fácil. Basta tomar os livros existentes e colocar na web. Custo zero? Quase. Um Kindle para cada aluno sai pela metade do custo. O governador da Califórnia é o exterminador do livro em papel. Texas, Flórida e Maine embarcam na mesma empreitada, economizando papel, permitindo atualizações frequentes e tornando o livro uma porta de entrada para todas as diabruras informáticas. E nós, cá embaixo nos trópicos? Na teoria, a solução pública é fácil, encaixa-se como uma luva nos livros didáticos, pode reduzir a cartelização e democratizar o acesso. Basta o governo comprar os direitos autorais e publicar o livro na web. Com os clássicos é ainda mais fácil, pois não há direitos autorais.
No setor privado, as perplexidades abundam. Alugar o livro, como já está sendo feito? Não deu certo vender caro a versão digital. Vender baratinho? A canibalização do livro em papel dá calafrios nas editoras, embora as gravadoras tenham sido salvas pela venda digital. Muda a lógica da distribuição. Tiragens ínfimas passam a ser viáveis. O contraponto é o temível risco de pirataria. Não há trava que não seja divertimento para um bom hacker. Na contramão desses temores, Paulo Coelho se deu bem, lançando seu último livro gratuitamente na internet, junto com o lançamento em papel. Cava-se um túmulo para as editoras e livrarias? Vão-se os anéis e ficam os dedos? Ou abre-se uma caixa de Pandora fascinante? Só uma coisa é certa: o consumidor ganha.
(Cláudio de Moura Castro. Revista Veja. Ed. 2165, de 19 de maio de 2010)

Em “Como a tecnologia não parou de avançar” (2º§), o termo destacado indica:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: No trecho "Como a tecnologia não parou de avançar, acelerou a migração de dados para as suas entranhas.", o termo "como" introduz oração subordinada adverbial causal, equivalente a "já que" ou "visto que". Assim, o avanço contínuo da tecnologia funciona como causa da aceleração da migração de dados, o que confirma a alternativa D.

Tema central: valor semântico de como
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não há comparação entre termos ou situações. No trecho, "como" não equivale a "tal qual" nem aproxima elementos por semelhança; ele introduz o motivo da aceleração da migração de dados, portanto o valor é causal, não comparativo.
B
Errada
Está errada porque o período não expressa hipótese nem condição. A oração inicial não estabelece algo do tipo "se..."; ela apresenta um fato dado como motivo do que vem depois. Falta, portanto, o valor hipotético próprio da condição.
C
Errada
Está errada porque, embora causa e explicação possam parecer próximas, aqui o valor preciso do termo destacado é causal. A oração introduzida por "como" apresenta o fato antecedente que motiva a oração principal, e não um comentário explicativo posterior.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o trecho apresenta relação de causa e consequência: o fato de a tecnologia não ter parado de avançar é o motivo pelo qual se acelerou a migração de dados para os computadores. Nesse uso inicial, "como" não compara nem conclui; ele introduz a razão do processo mencionado na oração principal.
E
Errada
Está errada porque a oração inicial não traz desfecho lógico nem resultado de argumento anterior. O sentido do período é o inverso: primeiro aparece a razão, depois o efeito. Assim, não há conclusão, mas causa.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: a associação automática de "como" à comparação e a troca entre causa e explicação sem observar a relação lógico-semântica do período.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o conectivo pode ser trocado por "já que", "visto que" ou "porque" sem alterar o sentido central; se puder, o valor tende a ser causal.
  • Não decida pelo valor de "como" de forma automática; observe se ele compara elementos ou se introduz o motivo do que é dito depois.
  • Identifique a direção da relação no período: se a primeira oração traz o fato motivador e a segunda o efeito, o sentido é de causa e consequência.

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Comentários

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Gaba: D

Questão classificada em Informática, enquanto era para estar em Língua Portuguesa (QC e seus erros).

(CAUSA) "Como a tecnologia não parou de avançar, (CONSEQUÊNCIA) acelerou a migração de dados para as suas entranhas."

Introduzem uma oração que apresenta a causa do acontecimento da oração principal:. Exemplos.: porque; que; porquanto; visto que; uma vez que; já que; pois que; como.

Substituindo as conjunções:

A tecnologia não parou de avançar, visto que acelerou a migração de dados para as suas entranhas."

Bons estudos!!

letra D

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