Por que o tigre-da-tasmânia foi extinto – e
como isolaram seu RNA
Ele foi o primeiro animal extinto a ter seu RNA
extraído e sequenciado, e pode ser um dos
primeiros a serem trazidos de volta à vida.
O RNA do Tigre-da-Tasmânia foi extraído pela
primeira vez. O Thylacinus cynocephalus,
também chamado de Tilacino ou Lobo-da
Tasmânia, foi extinto nos anos de 1930, e pode
se tornar a primeira espécie animal a ser trazida
de volta à vida. O feito foi reportado na última
semana, em estudo publicado no periódico
Genome Research. Mas por que esses animais
foram extintos para começo de conversa e por
que os cientistas querem trazer ele de volta?
A história da extinção
Apesar de parecer um cachorro (e de ser
chamado de Tigre), o tigre-da-tasmânia era um
marsupial, aquela classe de mamíferos que têm
uma bolsa de pele onde guardam o filhote –
como os cangurus. O “tigre” do nome é por
causa de suas listras características nas costas.
Eles eram nativos da Oceania, vivendo na
Austrália e Nova Guiné, e seu processo de
extinção foi gradual. Hoje em dia, as pesquisas
indicam que diversos fatores levaram à extinção
desses animais, mas é certo afirmar que o
principal deles foi a chegada dos humanos ao
continente, por volta de 50 mil anos atrás. A
caça indiscriminada levou à extinção não só dos
tilacinos, mas também da famosa megafauna
australiana. Posteriormente, os dingos (um tipo
de cão selvagem) foram levados ao continente.
As duas espécies competiam pelos mesmos
recursos, o que fez a população dos tilacinos
diminuir ainda mais. Esse cenário confinou os
animais à Tasmânia, uma ilha ao sul do
continente australiano. Lá eles ficaram e
sobreviveram – até a chegada dos colonos
europeus, no começo do século 19. Como os
tilacinos costumavam atacar as ovelhas nas
fazendas, o governo criou recompensas para a
caça desses animais. Resultado: dos 5 mil
indivíduos que existiam na ilha até a chegada
dos colonos, aproximadamente 3.500 tilacinos foram mortos, entre os anos de 1830 e 1920.
Isso levou pesquisadores a pensar em formas de
se proteger o animal. Mas já era tarde demais.
Em setembro de 1936, o último exemplar da
espécie, batizado de Benjamin, morreu no
zoológico de Hobart/Beaumaris, na Tasmânia.
[...]
Lá e de volta outra vez
O tigre-da-tasmânia era um dos principais
predadores da Ilha, sendo um dos responsáveis
por controlar o equilíbrio entre as populações
de animais da região. Sem um predador para
controlar, muitas dessas espécies podem se
tornar verdadeiras pragas, ameaçando o
equilíbrio do ecossistema local. E é justamente
esse um dos principais argumentos utilizados
para trazer essa espécie de volta. A ficção
científica já nos mostrou que trazer animais
extintos de volta à vida não é exatamente a
melhor ideia. Mas, para alguns pesquisadores,
essa pode ser a melhor opção para recuperar o
equilíbrio ecológico de ecossistemas inteiros
que foram devastados. E a isso se dá o nome de
“desextinção”. E com essa ideia em mente, e
com uma façanha digna de Jurassic Park,
pesquisadores conseguiram extrair o RNA de
uma espécie de tigre-da-tasmânia preservado
em um museu. Cientistas da Universidade de
Estocolmo conseguiram extrair essa amostra de
um tecido muscular e da pele do espécime.
Diferentemente do DNA, o RNA é uma
sequência genética que revela quais genes estão
ativos. É o RNA que leva as informações
contidas no nosso código genético para virarem
proteínas, as moléculas responsáveis pelo
funcionamento de todas as células no nosso
corpo. “A recuperação dos perfis de expressão
de RNA que não existem mais em células vivas
expande a possibilidade de explorar a biologia
de animais extintos”, explica Emilio Mármol
Sánchez, professor da Universidade de
Estocolmo e um dos líderes do estudo. Para
isso, eles extraíram mais de 220 milhões de
fragmentos de RNA da pele e músculo do
animal. Então, purificaram esses fragmentos e
depois conseguiram isolar e sequenciar o RNA
da espécie. Foi possível identificar genes que
codificam proteínas para a contração das fibras
musculares, além de outra na pele responsável
pela queratina. A amostra foi retirada de um
espécime do Museu de História Natural de
Estocolmo, de 1891. Geralmente, o RNA é mais frágil que o DNA: fora da célula, costuma se
degradar em questão de minutos. Sua
preservação depende de uma série de fatores, o
que torna a façanha da equipe ainda mais
impressionante. Essas informações serão
essenciais para os projetos que visam trazer o
tigre-da-tasmânia de volta à vida. [...]
Revista Superinteressante. Por que o tigre-da
tasmânia foi extinto – e como isolaram seu
RNA (adaptado). Disponível em:
Considere o seguinte excerto: “A ficção
científica já nos mostrou que trazer animais
extintos de volta à vida não é exatamente a
melhor ideia.” Em relação às classes gramaticais,
as palavras “científica”, “já”, “que” e “ideia” são,
respectivamente: