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Q4153526 Filosofia
      Ao pensar na relação entre educação e futuro, me deparo com uma ambiguidade. Tenho percebido em conversas com educadores de diferentes culturas — não só dos povos originários, mas que trabalham com outras abordagens da infância — que, já no primeiro período da vida, todo um aparato de recursos pedagógicos é acionado para moldar a gente. Isso me faz pensar em antigas práticas usadas por diferentes povos deste continente americano para constituir seus coletivos. São práticas ligadas à produção da pessoa — o que é muito diferente de moldar alguém — pois esses povos entendiam que todos nós temos uma transcendência e, ao chegarmos ao mundo, já somos — e o ser é a essência de tudo.
Ailton Krenak. O coração no ritmo da Terra, in: Ailton Krenak. Futuro ancestral, São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 94 (com adaptações).

A partir das reflexões presentes no texto precedente, compreende-se a existência de
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O elemento decisivo é a oposição, no excerto, entre o esforço de "moldar a gente" e a ideia de que, entre povos originários deste continente, a pessoa "já é" ao chegar ao mundo. Essa chave textual aponta para uma leitura ontológica/ metafísica ligada ao universo ameríndio, e não para uma orientação pedagógica normativa.

Tema central: metafísica ameríndia
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única compatível com o texto porque identifica justamente a dimensão metafísica/ontológica atribuída aos povos originários, expressa por transcendência, ser e essência, em contraste com a lógica de moldagem criticada por Krenak. As demais alternativas se afastam do enunciado ao introduzir prescrição educacional, inverter a crítica à moldagem ou trocar "transcendência" por "transcendental", além de falar em produção da essência humana sem apoio textual.
B
Errada
Está errada porque o texto não apresenta uma metafísica colonial nem a toma como referência válida para orientar a educação. O movimento do excerto é o inverso: a crítica recai sobre a moldagem pedagógica, enquanto o contraponto valorizado vem dos povos originários.
C
Errada
Está errada por extrapolação normativa e por deslocamento indevido do termo "essência". O texto não diz que se deve produzir a essência da educação; a essência mencionada está ligada ao ser, e o excerto afirma que, ao chegar ao mundo, já somos.
D
Errada
Está errada porque contradiz frontalmente o texto ao falar em moldar a transcendência dos indivíduos. Krenak opõe justamente a produção da pessoa à ideia de moldar alguém.
E
Errada
Está errada por troca conceitual e por negar o ponto central do excerto. O texto fala em transcendência, não em filosofia transcendental, e não afirma produção da essência humana; ao contrário, afirma que ao chegar ao mundo já somos.
Pegadinha da questão
A questão explorou confusões reais entre transcendência e transcendental, entre produção da pessoa e moldagem, e entre reflexão crítico-descritiva e prescrição normativa.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto opõe moldagem externa a um ser que já chega ao mundo com transcendência e essência, o eixo é ontológico-metafísico, não pedagógico-prescritivo.
  • Se a alternativa troca um termo do texto por outro tecnicamente diferente, como transcendência por transcendental, ela perde aderência conceitual.
  • Descarte alternativas que transformam crítica ou descrição em mandamento explícito, como "deve orientar" ou "deve produzir", sem apoio textual.

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